ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 28/01/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê a todo o cidadão o direito à saúde e ao bem-estar social. No entanto, a realidade observada no cenário brasileiro atual vai de encontro a essa garantia constitucional, dado o alarmante número de pessoas acometidas por transtornos mentais. Dessa forma, faz-se relevante uma análise desta problemática, a qual implica no afastamento dessa minoria dos espaços públicos, bem como a violenta simbologicamente.

Em primeiro plano, vale destacar que os indivíduos com algumas condição de sofrimento psíquico são excluídos dos espaços sociais. Segundo a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria sobre o Espaço Público, para serem de fato aparatos democráticos, instituições como escolas e universidades devem ser ambientes acolhedores a todos do espectro social. Contudo, observa-se que é grande a dificuldade de ocupação desses espaços por portadores de doenças mentais, seja pela falta tanto de acolhimento quanto profissionais especializados em atendê-los. Dessa maneira, é imprescindível que o poder público atue de forma a tornar esses lugares mais democráticos.

Além disso, é importante ressaltar como a “violência simbólica” contribui com o problema. Segundo o filósofo Pierre Bourdieu, autor do termo, todas as minúncias de um indivíduo são analisadas pelo corpo social, como a exibição de sua vida pessoal nas redes sociais, e refletem quem é o homem para outrem. Nesse sentido, aqueles que não correspondem a um ideal de vida perfeita, por padecerem de doenças como a depressão e o transtorno de bipolaridade, são vítimas de preconceito, inferiorizados e excluídos das relações sociais. Por isso, é importante que a coletividade avance no sentido de quebrar com este paradigma.

Portanto, com o objetivo de tornar as escolas e universidades espaços públicos mais inclusivos, o governo federal, por meio de um maior repasse de verbas ao Ministério da Educação, deve promover campanhas de conscientização nessas instituições. Isso deve ser feito através da contratação de profissionais especialistas, como psicólogos, para atender o público especial e promover ações educativas. Ademais, o corpo social deve promover debates, por meio de discursos nas redes sociais, para quebrar com os estigmas relacionados à saúde mental. Espera-se, assim, a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.