ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 17/02/2021
Apesar de serem facilmente confundidos por leigos, uma péssima saúde mental é bastante diferente de ter um grave transtorno psiquiátrico; a primeira, ainda pode ser superada e trazer algum aprendizado ao indivíduo. Na ficção, uma das séries de maior sucesso no país é “Peaky Blinders”, na qual o protagonista é admirado pelos espectadores por causa de sua personalidade, consequência dos traumas sofridos quando era combatente da primeira grande guerra. Eles adoraram sua liderança sob os demais membros da gangue e sua inteligência emocional, ignorando sua obsessão compulsiva. Esse exemplo ilustra o quanto esse assunto está presente na sociedade, mas não seus problemas relacionados: a falta de empatia da sociedade brasileira no tocante a problemas emocionais pessoais e também a de apoio à área de saúde por parte do Estado na solução desses problemas.
Em primeiro lugar, a preocupação com a saúde mental do indivíduo ganhou mais importância na sociedade e no campo do direito. Hoje, um psiquiatra pode avaliar se um criminoso tem a capacidade de julgar suas próprias ações e, se for capaz, será punido pelo que rege a justiça comum; se for inimputável, como Adélio Bispo, o homem que agrediu Bolsonaro com uma faca, será encaminhado a uma clínica especial e isolado da sociedade. Porém, não são mais admissíveis os tratamentos degradantes, tampouco em virtude apenas de transtornos mentais contornáveis.
Para que isso não ocorra, houve a lei da reforma psiquiátrica, de 2001, a qual foi muito importante porque garantiu direitos aos pacientes com transtornos mentais, como a participação de sua família no tratamento e sua proteção, além de as internações serem auditadas pelo Ministério Público contra qualquer forma de abuso. Apesar dos avanços positivados, segundo o CENAT (Centro Educacional de Novas Abordagens Terapêuticas), na prática os terapeutas não conhecem a lei e a justiça pouco se comunica com as clínicas de reabilitação. Ainda há um longo caminho para esses direitos serem realidade.
Conclui-se que, diante do exposto, as pessoas leigas têm que procurar conhecer melhor os indícios de perda na saúde mental e jamais julgá-los como problemas psiquiátricos, somente um especialista pode fazê-lo. Portanto, a mídia e o Estado deveriam divulgar os problemas mais comuns da mente e suas implicações na saúde e os direitos dos enfermos. Assim as pessoas procurariam tratamento com especialistas antes de terem consequências sociais mais graves desse descontrole.