ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 31/01/2021

Em sua obra “O mal-estar da civilização”, o psicanalista Sigmund Freud afirma que a plena felicidade individual é inalcançável no meio social, principalmente àqueles que passaram por traumas psíquicos. Ademais, no Brasil atual, essa situação é evidente, visto que o crescente estigma associado aos doentes mentais dificulta sua recuperação. Logo, na busca de medida para reverter esse nocivo processo, convém analisar suas principais causas e consequências.

Sobre tal conjuntura, vale ressaltar que o preconceito vivenciado por pessoas psicologicamente fragilizadas surge de um mecanismo social que repreende as minorias. Segundo Émille Durkheim em seu livro “Suicídio”, esse fenômeno trata-se da coerção social, a qual consiste na força que, dentro de uma população, as maiores massas exercem sobre as menores, numa tentativa de eliminar heterogenidades. Revela-se, portanto, inadmissível que sujeitos mentalmente vulneráveis sejam afrontados por agentes externos - que deveriam ser o seu principal ponto de apoio.

Além disso, a constante pressão imposta sobre aqueles com transtornos psiquiátricos pode agravar os seus casos. Como abordado no “podcast” jornalístico “O Assunto”, a falta de compreensão e ajuda familiar ou de outras intituições a jovens com depressão no estágio inicial é preponderante para o desenvolvimento dessa e outras condições semelhantes. Lê-se, pois, como contraditória a postura do Estado, o qual, ao invéz de amaparar todos os cidadãos - como previsto pela Carta Magna -, carece de programas eficazes para a garantia de saúde dos mais debilitados.

Diante do exposto, o governo federal deve promover campanhas nas escolas que elucidem os estudantes e seus responsáveis sobre fatores relacionados ao bem-estar psicológico. Isso pode ser feito por meio de palestras mensais nessas instituições, mestradas por psicanalistas e pedagogos, os quais esclarecerão a importância e os cuidados direcionados para a saúde mental e práticas que prezem pela empatia. Espera-se, com isso, diminuir o estigma associado às pessoas vulneráveis e amnizar as reverberações do proposto por Freud.