ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 31/01/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo sexto o direito á saúde. Entretanto, a realidade presenciada por portadores de doenças psiquiátricas é completamente diferente daquela prevista na Constituição, pois o descasso do governo e a falta de informação fazem com que esse problema persista na sociedade. Esses fatores contribuem para o estigma associado ás doenças mentais no Brasil.
Em primeiro lugar, é válido analisar que, em função da falta de medidas governamentais, o preconceito contra doentes mentais persiste no Brasil. De acordo com a teoria do “contrato social”, formulada pelo filósofo John Locke, o Estado tem o dever de garantir o bem estar social, em troca os indivíduos da sociedade cumpre com seus deveres. Dessa forma, se torna claro que o Estado não tem cumprido com sua parte do “contrato”, uma vez que, indivíduos com doenças mentais, ainda hoje, possuem dificuldades em buscar ajuda e sofrem estigmas da sociedade, comprometendo o bem estar desses indivíduos.
Em segundo lugar, á falta de informação faz com que a sociedade julgue de forma superficial e errada quem sofre de doenças psiquiátricas. Á depressão, doença mental que leva muitos indivíduos a cometerem suicídio, é vista pela sociedade como “frescura”, porém, segundo o sociólogo Émilie Durkheim, o suicídio é tido como um fato social, ou seja, é um fato recorrente e exterior ao indivíduo. Dessa forma, a sociedade precisa ter acesso á informação, pois, como provado por Durkheim, as doenças mentais existem.
Portanto, medidas devem ser tomadas para que o problema não persista na sociedade. Nesse sentido, o SUS deve, por meio de campanhas e palestras, informar á sociedade sobre as doenças mentais, com o objetivo de reduzir o estigma que indivíduos portadores de doenças psiquiátricas sofrem no Brasil. Somente assim, o Estado cumprira com sua parte do “contrato”.