ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 05/02/2021

Em seu livro “A visão em Paralaxe”, o filósofo Zyzek explicita a necessidade de possuir um olhar por um âmbito geral para a análise de problemas sociais. Nesse sentido, é imprescindível que haja a discussão sobre as raízes do estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, que estão tanto na presença de paradigmas preconceituosos, quanto na ausência de informações sobre as patologias psiquiátricas.

É relevante abordar, primeiramente, a trajetória da psiquiatra Nise da Silveira, que foi responsável por revolucionar essa área da medicina no Brasil, quebrando paradigmas impostos aos indivíduos com doenças mentais e incentivando a realização da terapia ocupacional com eles.    Nessa perspectiva, a contribuição dessa profissional funciona como um meio de combater o estigma do preconceito veinculado aos portadores de transtornos psiquiátricos, facilitando a interação social dessa parcela da população.

Em segunda análise, cabe mencionar o trabalho da pediatra Zilda Arns, que em parceria com a igreja católica e profissionais liberais, criou a Pastoral da Criança e a da Pessoa Idosa, disseminando informações sobre remédios caseiros e métodos de prevenção de doenças. Nesse contexto, é importante destacar que a popularização do conhecimento sobre o que configura-se como transtorno mental é fundamental para a obtenção de diagnósticos e, consequentemente, realização de tratamentos adequados buscando a melhoria do indivíduo.

Infere-se, portanto, que o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira precisa ser superado. Desse modo, o Ministério da Educação – responsável por formular a política nacional de educação – deve promover nas escolas, de níveis fundamental e médio, palestras sobre a necessidade de combater os preconceitos relacionados aos indivíduos com patologias psiquiátricas, a fim de formar jovens com mais consciência social. Além disso, é imperativo que o Ministério da Saúde crie campanhas na mídia, como televisão e redes sociais, com o objetivo de incentivar o reconhecimento da presença de transtornos mentais. Feito isso, paradigmas poderão, gradativamente, serem quebrados e tratamentos realizados.