ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 06/02/2021

Segundo o filósofo Jürgen Habermas, a sociedade, para o seu progresso, depende de uma crítica a suas próprias tradições.Nesse sentido, um nefasto hábito social que deve ser analisado é o estigma associado às doenças mentais no Brasil, causador dum processo de segregação social e violador de direitos fundamentais constitucionais.

A princípio, o preconceito associado a essas patologias impede a inclusão de suas vítimas na sociedade. Isso é visto claramente no filme “Joker”: nele, um palhaço portador de uma deficiência mental é, aos poucos, afastado do convívio com seus conhecidos. Sob esse viés, a filósofa Hannah Arrendt explica tal fato: para ela, a intolerância a certos grupos sociais se propaga por todo o corpo coletivo, até que este não aceite mais viver com os indivíduos “diferentes”. Dentro dessa esfera, o estigma quanto às doenças psicológicas faz com que seus portadores sejam vítimas dessa conjuntura de segregação, expondo o caráter desumanizador do problema.

Outrossim, esse panorama viola garantias fundamentais. Sob essa óptica, a Constituição de 1988 apregoa, em seu artigo quinto, a dignidade da pessoa humana como princípio inalienável. Todavia, a formação de preconceitos no que tange transtornos mentais origina uma fenômeno descrito pelo sociólogo Pierre Bourdieu como violência simbólica, no qual direitos legais são, de forma frequente, violados nas interações cotidianas entre os indivíduos. Essa conjectura é vista, por exemplo, na taxação de pacientes com distúrbios psicológicos como “burros” ou “débeis”, ato infelizmente comum. Dessa forma, o hiato em análise fere direitos inerentes ao homem.

Portanto, urge o combate ao estigma associado à doenças mentais. Para tanto, o Ministério da Educação deve promover a quebra de preconceitos quanto a transtornos mentais, por meio de oficinas educativas voltadas à população. Esses eventos devem expor a gravidade das doenças psicológicas e a necessidade do apoio social a suas vítimas. Assim, o Brasil vencerá, conforme o ideal Hobbesbiano, um velho e danoso costume.