ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 08/02/2021
A primeira lei de Newton, Lei da inércia, enuncia que um corpo tende a manter seu movimento até que uma força atue sobre ele, fazendo-o mudar de percurso. Fora das ciências da natureza, o estigma social que acompanha as doenças mentais no Brasil contribui com a manutenção da discriminação relacionada a essa condição, seja em virtude da má influência da mídia, seja pela incompreensão dos transtornos psiquiátricos.
Deve-se pontuar, de início, que a má influência midiática configura-se como uma causa latente do problema. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Constantemente retrata-se condições de transtornos mentais de maneira caricata, onde os indivíduos são mostrados como incapazes, instáveis e, muitas vezes, até perigosos. Muitos filmes, séries e novelas narram histórias de psicopatas e serial killers associadas a seus distúrbios mentais, criando, assim, uma visão distorcida no imaginário popular dos efeitos de uma doença mental. Isso reflete ainda no comportamento dos familiares, que isolam e os tratam como pessoas inaptas para o convívio social devido ao estereótipo criado pela mídia. Esses fatores fomentam o medo e a marginalização daqueles que sofrem de transtornos psiquiátricos.
Segundamente, percebe-se que a desinformação sobre as doenças psiquiátricas é um grave empecilho no que diz respeito ao estigma relacionado a essa questão no Brasil. No filme “Coringa”, lançado em 2019, o protagonista possui distúrbios mentais e relata que a sociedade espera que indivíduos como ele se comportem como se não fossem doentes mentais. O estigma relacionado a transtornos psiquiátricos devido a construção da imagem de alguém incapaz e perigoso para a dinâmica social estável, acarreta a expectativa comportamental de completa apatia para que esses indivíduos não sejam considerados nocivos aos demais, desrespeitando sua condição de saúde, além da singularidade humana, visto que, oscilações emocionais são uma característica inerente às pessoas.
Faz-se mister a desconstrução dos rótulos negativos que acompanham as diferentes condições psiquiátricas. Para isso, o Ministério da Cultura em parceria com profissionais de saúde, deve por meio de propagandas, curtas-metragens e eventos sociais interativos promover a compreensão e desmistificação dos fatores relacionados as doenças mentais, a fim de um melhor tratamento e inserção social daqueles que possuem essas doenças. Mudando, assim, a trajetória estigmatizante do Brasil atual.