ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 08/02/2021

De acordo com a Constituição Federal de 1988, valorizar o homem como ser social significa tentar buscar alcançar as transformações necessárias para uma sociedade mais justa. Nesse contexto, quando se discute sobre o estigma associado às doenças mentais, observa-se que a cobrança comunitária e a medicalização intensificam essa moléstia. Diante desse cenário, não há dúvidas de que seja preciso intervir nesse quadro a fim de que os pontos negativos sejam minimizados ou até mesmo extintos.

Não é exagero afirmar, nesse caso, que há fortes indícios de que o achismo humano de fazer do outro extensão daquilo que pensa ser correto é uma das causas para o surgimento de doenças mentais no país. O sociólogo Zygmund Bauman, em seu termo Modernidade Líquida, revela como a falta de empatia e o excesso de julgamento alheio afetam as emoções e o discernimento das vítimas do processo. Desde criança o indivíduo é direcionado a ter uma educação dita correta, quando jovem é influenciado a ter uma orientação sexual pré-estabelecida, quando adulto é levado a ter uma profissão, formar uma família e tudo o que foge dessa percepção é motivo de escárnio ou preconceito. Tais atitudes mencionadas são a primazia para o surgimento de transtornos emocionais como ansiedade ou depressão.

Outro fator que também pode ser considerado nessa perspectiva é a ideia de que o medo de lidar e passar por momentos de dificuldade e fraqueza pressupõem o uso de medicamentos que regulam os níveis de estresse do corpo. De acordo com a OMS ( Organização Mundial da Saúde ), esses produtos possuem a mesma base farmacológica da natureza humana, ou seja, são feitos a partir dos hormônios ocitocina, adrenalina e endorfina. Então, o indivíduo deve aprender a se controlar diante da ansiedade e depressão para que não fique dependente de uma química que seus próprios órgãos são capazes de produzir se estimulados.

Esse retrato preocupante da realidade brasileira evidencia, portanto, a necessidade que o indivíduo possui em saber controlar seu emocional diante dos problemas enfrentados na vida. Isso será possível se o Governo, através do Ministério da Educação, contratar psicólogos para acompanhar e orientar seus alunos desde a educação básica. Esse direcionamento se efetivará por meio de consultas individuais, palestras, debates e aulas em que esses profissionais auxiliarão os estudantes em como filtrar julgamentos e cobranças para que seu psicológico não seja afetado. Assim, os problemas relacionados ás doenças mentais serão minimizados ao longo do tempo.