ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 08/02/2021

“O importante não é viver, mas viver bem”. Assim, segundo o filósofo Platão, a qualidade de vida supera a própria existência. Entretanto no Brasil, muitos indivíduos, que possuem alguma doença mental, enfrentam dificuldades para atingir esse conceito, tendo em vista que o preconceito sofrido por falta de informação da sociedade sobre o assunto e, o descaso governamental frente a essas patologias. Dessa maneira, deve-se analisar a questão a fim de erradicar o estigma da sociedade frente as doenças mentais.

Inicialmente, vale ressaltar que a falta de conhecimento do indivíduo sobre as doenças mentais auxilia na manutenção dos estigmas e preconceitos sobre as mesmas. Segundo Emile Durkheim, a sociedade pode ser definida como um “corpo biológico”, onde todos os indivíduos interagem entre si. Entretanto, o tabu imposto a transtornos mentais -preguiça, frescura, loucura-, impossibilitam que o conhecimento seja compartilhado, ocasionando na exclusão dos enfermos. Assim esse pensamento deve ser anulado, possibilitando a dispersão do conhecimento e o pleno funcionamento do “corpo biológico”.

Ademais, o descaso governamental com relação a saúde da população é outro fator que importante para a problemática. Tal fato se comprova ao analisar a situação do país diante da pandemia do covid-19, com milhares de mortes, falta de oxigênio em hospitais, e incentivo de automedicação -cloroquina pelo presidente. Embora não se trate diretamente de doenças mentais, a atuação do governo corrobora para que a existência das barreiras, estigmas e preconceitos, acerca dos assuntos mentais, se fixe no ideal brasileiro. Logo, medidas devem ser aplicadas, a fim de, possibilitar uma maior qualidade de vida aos brasileiros.

Portanto cabe aos Ministérios da Educação e ao Ministério da Saúde, ofertarem campanhas socio-educacionais, por meio de palestra em escolas, igrejas e na grande mídia televisiva, informação a população sobre as doenças mentais, sobre o que realmente são, quais tratamentos devem ser buscados, a importância dos cuidados com a mesma, bem como, desmistificar antigos pensamentos. Ainda, cabe a esferas governamentais -Executivo, Legislativo e Judiciário-, mudarem a postura quanto a saúde da população, passando a valorizar o autocuidado, a busca por ajuda e não incentivar a automedicação. Dessa maneira será possível amenizar a questão e conviver como pensado por Durkheim, como um “corpo biológico”.