ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 09/02/2021
No livro “Hamlet” de William Shakespeare, é retratada uma crise familiar envolvendo a corte dinamarquesa. O protagonista, príncipe Hamlet, intencionalmente apresenta-se com distúrbios mentais escandalizando a realeza a fim de encontrar uma solução ao impasse. Fora da ficção, é fato que as psicopatias crescentes na sociedade brasileira e os estigmas associados a elas, vão além de uma mera encenação. Dessa forma, percebe-se que, o obstáculo enfrentado pelos portadores de doença mental no ingresso ao mercado de produção e a restrição no debate público, intensificam o problema.
Convém ressaltar, a princípio, que a dificuldade sofrida pelo enfermo psicológico na entrada do mercado de trabalho está entre as principais causas do problema, uma vez que retarda a inserção social desses indivíduos. Dessa maneira, o sujeito afetado encontra-se refém e incapaz de combater os preconceitos associados a sua doença. Cenário esse, que se opõem ao Artigo 1º da Constituição Brasileira, o qual garante que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
Igualmente, salienta-se, a restrição no debate público como mais uma das causas dessa problemática, transmitindo assim a sensação de sua ausência. Visto que, o avanço tecnológico e a ascensão das redes sociais nas conversas públicas, conduz a sociedade uma falsa exposição de perfeição. Fenômeno este, observado por inúmeros filósofos e entre eles, o contemporâneo Luiz Felipe Pondé que o classifica como “Vida Editada”, ou seja, a incessante busca de apresentar condições de vida melhores, mesmo que não faça parte de sua realidade.
Portanto, para que os preconceitos ligados aos distúrbios psicológicos deixem de existir no contexto brasileiro atual, medidas precisam ser tomadas. Sendo assim, o Governo em parceria com o Ministério da Educação e Ministério do Trabalho deve criar cotas, tanto em universidades quanto em instituições privadas e empresas, para inserir pessoas portadoras de doenças mentais na faculdade e no mercado de trabalho, com a finalidade de, a curto e médio prazo, garantir a inclusão social desses indivíduos. Desse modo, a realidade distanciar-se-á da encenação feita pelo protagonista de William Shakespeare.