ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 04/05/2021
A constante propagação de um ideal de vida feliz está adoecendo a população brasileira. A célebre filosófica Focault defende a ideia de uma sociedade que deseja um indivíduo dócil do qual é previsto o aproveitamento máximo das qualidades deste. Não distante de nossa realidade, as constantes pressões oriundas do ofício, escolas, família e relações sociais desgastam o psicológico das pessoas, acarretando às doenças mentais. Em virtude disso, é imprescindível a discussão de medidas para o contorno dessas mazelas e o debate acerca da manutenção tóxica de um ideal de realização pessoal. É visto que os impactos dos números nas redes sociais interferem em como nos sentimos contentes com nossas vidas. A rede social Instagram, tomou uma medida para diminuir esses efeitos competitivos e danosos, retirando assim o número de curtidas nas fotos. Todavia, não é possível restringir dos indivíduos o seu direito de visualizar e publicar nos demais aplicativos de socialização a enaltação de perfis e conteúdos bem-sucedidos e de auto realização. De acordo com o IBGE, uma pesquisa de amostra de domicílios de 2018 aponta que 74% da população (majoritariamente jovem) brasileira possui acesso à internet, realçando a perspectiva presente dessa problemática exibicionista na sociedade. Ademais, o desgaste da saúde mental se expande além do âmbito cibernético. As cobranças constantes por bons resultados e altas expectativas dentro e fora de nossas casas acarreta até doenças ocupacionais, além da depressão e ansiedade. É o caso da Síndrome de Burnout, enfermidade que traz o esgotamento físico e mental decorrente do ambiente de trabalho. Logo, empresas e demais corporações também sentem o peso dos transtornos mentais incapacitando os seus funcionários. Em suma, é necessária a compreensão dos efeitos desses fenômenos em sociedade. Cabe às organizações privadas que mantêm suas redes sociais estabelecerem ações que promovam ambientes digitais menos nocivos, tais como sigilo de curtidas para o combate da superexposição pela necessidade de aprovação. Além disso, a criação de atalhos para apoio com números de preservação à vida e aconselhamento para busca de ajuda auxiliam o usuário caso este não se sinta bem. Ademais, o alerta de uso de horas reduziria a dependência emocional às mídias. No âmbito escolar e profissional, a presença de psicólogos ajudaria as pessoas a desabafarem sobre suas inseguranças e pressões e a lidarem melhor com elas. Por fim, no ciclo familiar e social o apoio e diálogo por parte da família e amigos é fundamental na prevenção e tratamento dessas doenças.