ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 09/02/2021

O ano de 2020 foi muito difícil para a população mundial. Fomos pegos de surpresa pela pandemia do novo Coronavírus (causador da Covid-19) e da noite pro dia tivemos que nos adaptar a uma nova rotina. Entretanto, junto com a pandemia tivemos um aumento na incidência de pessoas com problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e/ou transtornos de bipolaridade. Tais doenças, ainda são um grande tabu para a sociedade brasileira, a qual ainda encontra dificuldades para superar esse estigma, seja por falta de informação, ineficiência do Estado ou até mesmo pelo uso excessivo de redes sociais.

Em primeira análise, devemos salientar que a falta de informação é o pior fator deste estigma. O termo saúde mental vai muito além de estar bem psicologicamente, mas também envolve a capacidade do indivíduo em lidar com as adversidades do cotidiano e também a hora necessária para buscar ajuda profissional. Porém, há quem diga que “quem precisa de psiquiatria é doido”, um pensamento retrógrado, arcaico e preconceituoso usado em pleno século XXI, por pessoas que possivelmente também necessitam de ajuda e fecham os olhos par tal realidade. Além disso, o uso excessivo de redes sociais pode agravar ainda mais o cenário atual, pois é um lugar onde tudo é visto pela óptica da perfeição, deixando a falsa percepção de que todos são felizes com a vida que levam, sem problemas, preocupações, tristezas, um falso conto de fadas.

Ademais, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmam que no Brasil cerca de 17% da população está acometida pela depressão; entre as mulheres os dados são mais alarmantes: em média 3 em cada 10 vivem com depressão. Esses dados levam o Brasil ao primeiro lugar no pódio dos países mais depressivos da América Latina. Vale ressaltar também, que a falta de profissionais, medicamento e investimentos contribuem para o agravamento dos índices, já que em UBSs há uma longa fila de espera, escancarando a ineficiência do Estado para a resolução do problema.

Portanto, é possível concluirmos que a situação cujo país se encontra é alarmante. Para melhorarmos os indícies de saúde mental atual é necessário que o Ministério da Saúde designe maiores investimentos para a contratação de mais profissionais, como psiquiatras e psicólogos, e compra de medicamentos para tratamento daqueles que precisam. Junto a isso, ONGs em conjunto com o Ministério da Saúde façam campanhas com informações relevantes sobre como e por quais razões buscar ajuda profissional, sendo as redes sociais o principal meio de comunicação, já que há um elevado potencial de pessoas com transtornos de saúde mental neste ambiente. Tais medidas são essenciais para que o Brasil supere esse estigma e saia do pódio da depressão.