ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 10/02/2021
O filme “Coringa” dirigido por Todd Philips trabalha um tema muito presente no contexto atual: as doenças mentais. Apesar de ter sido criada para fins de entretenimento, essa produção tornou-se premiada por retratar o estigma associado aos portadores de sofrimentos mentais e a forma como isso ocasiona consequências. Entre elas, ressaltam-se a precariedade no tratamento e a falta de acolhimento da comunidade em que vive. Apesar de muitas razões figurarem como causas desse preconceito, cabe destacar o papel da falta de informação e a má influência das mídias sociais para seu avanço.
Primeiramente, cabe pontuar que transtornos mentais são doenças graves, mas ocorre na sociedade uma falta de abordagem do assunto. Nesse contexto, nas escolas e famílias, as pessoas não costumam falar sobre ou acabam por ter uma certa ignorância, não validando esses sofrimentos, considerando como dramas. Nesse sentido, pode-se refletir sobre o pensamento do filósofo Sócrates, “Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância.” Portanto, se algo não é percebido como doença, não existe tratamento cabível.
Em segundo lugar, observa-se que as redes sociais podem favorecer o desenvolvimento das doenças mentais por, dentro delas, idealizarem vidas perfeitas. Além disso, podem fortalecer o estigma devido ao fato de que essas plataformas são a maior fonte de busca por informação e, muitas vezes, apresentam fake news e informações de baixa qualidade, uma vez que, pessoas que não são autoridade no assunto ganham notoriedade. Diante disso, vale repensar a ideia de Zygmant Bawman, “As redes sociais são uma armadilha”.
Em suma, apesar de o personagem ficcional “Coringa” ter sido criado hiperbolicamente, a forma como sua doença mental é retratada permite a reflexão da importância, para eficácia do tratamento, do acolhimento da comunidade. Visto isso, ONGS devem promover campanhas de conscientização sobre o que são transtornos mentais e como seus portadores podem ser ajudados. Ademais, o Ministério da Educação deve promover palestras e debates, por profissionais referência no assunto, dentro das escolas e faculdades, visando um maior conhecimento, principalmente, por parte dos jovens e adolescentes.