ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 12/02/2021

A busca pela justa medida, a qual advém do pensamento aristotélico, há séculos permeia as sociedades. Contudo, saber equilibrar as diferentes emoções tem se tornado um desafio aos indivíduos da modernidade. Isso se dá em virtude da concepção de que o homem da era tecnológica deve ser conciso e exato como as máquinas que cria, além de ter que se manter quase impermeável às desigualdades que o rodeia.

Nesse contexto, o homem moderno quando manifesta qualquer alteração de humor, de postura ou de um pensamento que dele não é esperado, logo é rotulado como desequilibrado e se torna estranho ao convívio social ou laboral. Desse modo, a ausência de um elo social, o qual Émile Durkheim chamou de solidariedade orgânica, leva à fragilidade dos laços comunutários, o que gera o agravamento de crises. Assim, estigmatizar pessoas as quais apresentam desequilíbros psicológicos, provoca incapacidades funcionais e perdas econômicas, tal como a Organização Mundial da Saúde divulgou, em 2017.

Ademais, o convívio com as desigualdades, no contexto brasileiro, pode ser uma das principais causas para que o país seja reconhecido como o mais depressivo do mundo. Nesse sentido, pessoas adoecem por perderem familiares para violência, seja ela doméstica ou urbana, ou para um sistema de saúde falho. Dessa forma, uma sociedade que não “descalça os sapatos apertados” das desigualdades tende a perenizar o estigma às doenças de ordem mental, emocional ou psicológica.

Evidenciam-se, portanto, grandes desafios à saúde mental no Brasil. Em suma, são necessárias melhoriais para reduzir essa problemática. Logo, cabe à sociedade civil engajada, às ONGs de apoio social incentivar manifestações - a exemplo de passeatas e assinatura de manifestos - a partir de divulgação em redes sociais dos números das doenças mentais e suas consequências, a fim de equalizar direitos a tratamentos e dirimir estigmas.