ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 12/02/2021
Na série “This is us”, o personagem Randall resiste à possibilidade de fazer terapia para tratar de seu transtorno de ansiedade, tendo em vista sua dificuldade em assumir tal questão publicamente. Fora da ficção, na sociedade brasileira, percebe-se que esse problema, ligado à busca por tratamento, se conecta ao estigma associada às doenças mentais. Nesse contexto, torna-se necessário debater as causas de tal estereotipação, no que concerne à necessidade de exposição de uma vida perfeita e a dificuldade histórica para lidar com isso.
Em primeiro lugar, deve-se considerar o contexto social de elevada exposição humana, que cria um ideal de vida perfeita. Em tal conjuntura, o sociólogo Guy Debord aponta que se vive em uma sociedade do espetáculo, na qual a exposição desmedida pode estabelecer um modelo inalcançável de perfeição. Logo, o compartilhamento exarcebado nas redes sociais pode levar a população a se sentir oprimida, tendo em vista que assumir um transtorno mental não compactua com o padrão demonstrado nas mídias.
Ademais, é necessário ressaltar a dificuldade histórica que se tem para aceitar a ocorrência de doenças psíquicas como algo tratável. Nesse sentido, a denúncia realizada por civis na segunda mentade do século XX contra o Hospital de Barbacema, no estado de Minas Gerais, expôs a perspectiva de animalização do doente mental, conforme as condições inóspitas oferecidas pelo estabelecimento psiquiátrico aos pacientes. Tal situação demonstra que ainda há uma enorme luta a ser travada contra os estigmas associados a um doente mental.
Portanto, para mudar a situação vivida em decorrência de tal estigmatização, é necessário agir. Logo, o Ministério da Saúde - órgão responsável por medidas referentes à esfera de presevação saudável da população - deve promover propagandas de cunho conscientizador e incentivador em relação à busca por tratamento de doenças mentais. Isso pode se concretizar por meio de parceria com os principais meios midiáticos, como Rádio, TV e as redes sociais, a fim de que a esteorotipação em torno de tais doenças acabe, fazendo assim com que personagens como Randall fiquem apenas na ficção.