ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 12/02/2021

No século XIX, o psicanalista Freud tratava as doenças psiquicas, principalmente nas mulheres, como histeria. Tais indivíduas eram submetidas à tratamentos traumáticos, como o eletrochoque, o que ajudou a perpetuar a ideia de que a ausência de saúde mental era “loucura”. Atualmente, ao se problematizar o cenário brasileiro ligado ao estigma associado às doenças mentais, deve-se centrar atenções na banalização do tema pela sociedade brasileira. Assim, pontuam-se dois fatores: a falta de empatia e a deficiência no tratamento desse estigma.

A princípio, é fundamental que se perceba a estreita relação entre a falta de empatia e a perpetuação do estigma ligado à saúde mental. Isso pode ser percebido devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação tecnista que não instiga a compreensão dos fatos. O contratualista John Locke acreditava que o homem era uma criatura com inclinação para o bem e possuia forte senso de empatia. Dessa forma, se o indivíduo for instruído a reverter as marcas desse estigma, a sociedade tornará-se mais empática.

Além disso, o deficitário incentivo do Estado na promoção de uma sociedade mais humana, perpetua os estigmas associados às doenças mentais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil mais de 10 milhões de brasileiros possuem algum grau de depressão. Logo, esses dados comprovam que a deficiência estrutural no Brasil é um agravante para solucionar esse contratempo enfrentado por tantos indivíduos. Frente a tal cenário, se um governo se omite diante de uma questão tão importante, entende-se o porquê de sua continuação. Desse modo, faz-se necessário uma reformulação da postura estatal de forma urgente.

Infere-se, portanto, a importância de reverter os estigmas sociais perpetuados ao longo dos anos. Sendo assim, o Governo Federal, como órgão responsável pela distribuição de investimentos, deve aumentar os incentivos para o tratamento de doenças mentais, atuando em favor de uma sociedade saudável, a fim de que os brasileiros formem uma nação forte e unida. As instituições de ensino público e privado devem abordar o tema desde o ensino fundamental - uma vez que se deve inserir as crianças nesse meio - de maneira lúdica, contando com a capacitação dos professores para trabalharem em favor da humanização, por meio de palestras e projetos que envolvam também os pais dos alunos, a fim de que em conjunto o Brasil possa ter uma sociedade sem estigmas e indivíduos mais empáticos, confirmando o pensamento de John Locke.