ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 15/02/2021

Desde o Iluminismo, sabemos – ou deveríamos saber – que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o estigma associado às doenças mentais no Brasil, em pleno século XXI, percebe-se que esse ideal Iluminista é verificado na teoria e não desejavelmente na prática. Nessa realidade instável e temerária, que mescla conflitos de ordem política e social, analisar seriamente as raízes e os frutos da problemática é medida que se faz imediata.

É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estão entre as causas do problema. De acordo com Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que o estigma associado às questões mentais, no Brasil, rompe essa harmonia, haja vista que, embora a constituição cidadã garanta o amplo acesso à saúde e ao bem estar social, há brechas que permitem a desassistência nessa temática, como a precária atenção dada pelo SUS no enfrentamento dessa mazela. Dessa forma, evidencia-se a importância do reforço da prática de regulamentação como forma de combate a essa negligência.

Outrossim, destaca-se o preconceito como impulsionador dessa chaga enraizada na cultura brasileira. Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de generalidade, exterioridade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, é possível encaixar o preconceito entranhado nos assuntos mentais no país na teoria do sociólogo, uma vez que, se um cidadão vive em um ambiente que apresenta desdenho ao assunto, ele tende a adotá-lo, também, por conta da vivência em grupo. Assim, o fortalecimento desse tipo de comportamento, transmitido de geração a geração, funciona como forte base para esse tipo de agressão, agravando o problema no país.

Portanto, para romper com esse estigma na sociedade, uma intervenção se faz necessária. Para isso é preciso que as escolas, em parceria com as prefeituras, promovam rodas de conversa e debate sobre saúde mental e seus desdobramentos, por meio da mediação de psicólogos e assistentes sociais, a fim de romper com o estigma e o preconceito associado a esse tema. Tal ação deve ser extensiva aos pais e familiares do estudante – para a escola cumprir o seu papel social – e acompanhar material impresso, com o intuito de ampliar ainda mais a discussão. Assim, será possível superar o preconceito como fato social e alcançar o equilíbrio proposto por Aristóteles.