ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 14/02/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6° que a saúde e a educação são direitos universais. Entretanto, atualmente tais direitos básicos não são distribuídos igualitariamente quando se observa o estigma associado às doenças mentais na sociedade, por conta não só da falta de educação populacional mas também pelo problema na identificação das doenças psíquicas. Diante dessa perspectiva, faz-se necessária uma análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira instância, nota-se o déficit de medidas governamentais frente ao preconceito da população. Segundo o filósofo Immanuel Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”, ou seja, uma sociedade sem educação adequada forma indivíduos ignorantes quando se trata de qualquer tipo de diferença social, o que resulta em pré-conceitos errôneos à pessoas que, por exemplo, possuem alguma doença psicológica.

Ademais, as pessoas que são mentalmente afetadas, muitas vezes, sofrem por não conseguirem lidar e identificar sua respectiva doença. Como dizia a filósofa Simone de Beauvoir, “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos à eles”, isto é, a parcela da população que é psicológicamente doente se adapta a sentimentos e sensações ruins por acharem que é natural, justamente por não terem uma preparação para identificá-los.

Compreende-se, portanto, que a escassez do conhecimento afeta a saúde e a educação populacional, o que é imprescindível uma postura responsável nesse aspecto. Para isso, urge que os governantes invistam ainda mais na educação e conscientizem toda a população em relação aos sintomas, as causas e aos impactos das doenças mentais, por meio de propagandas televisionais e palestras gratuítas em todo o país, a fim de desconstruir o senso comum da civilização e estimular a procura profissional dos indivíduos que tenham sintomas de qualquer anomalia.