ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 24/02/2021
O advento das redes sociais possibilitou uma realidade em que qualquer pessoa pode compartilhar seu dia-a-dia ou acompanhar o de outras pessoas. Nesse contexto, criou-se um padrão de vida que faz os “expectadores” acreditarem na existência da perfeição a ser alcançada, criando um sentimento de inferioridade àqueles que não conseguem atender às expectativas. Sob essa ótica, mazelas associadas às doenças mentais são mascaradas ou minimizadas afim de se ter a aceitação.
No conto “O alienista” de Machado de Assis, o protagonista é um médico que deseja retirar as imperfeições da sociedade, portanto, aqueles que não são considerados “normais” são internados em um hospício. Ao decorrer da história todas as pessoas da cidade são internadas por possuirem alguma mania que ele considera um sintoma da loucura. Como no conto, na atualidade, as pessoas que têm doenças mentais também são excluídas socialmente independente do quanto isso afeta sua capacidade. Com isso ter distúrbios mentais é considerado vergonhoso e inaceitável tornando o problema mais difícil de se lidar.
Além disso, a sociedade muitas vezes zomba as doenças mentais como se tais pessoas tivessem total controle sobre suas enfermidades. Por exemplo, o “rapper” norte-americano Kanye West que durante um surto de transtorno mental, jogou seus “grammys” dentro do vaso sanitário como protesto e postou nas redes sociais. Tal ato foi visto como insulto e piada ao ramo da música e Kanye foi duramente criticado, tornando-se motivo de bricadeiras e ignorando-se o fato de que sua ação foi causada principalmente pela doença mental que ele possui.
Sob esse prisma, é imprescidível que o Estado e a sociedade ajam em parceria para não se taxar e excluir pessoas com doenças mentais. É nescessário que o governo torne público a todos que ao decorrer da vida é possível desenvolver transtornos mentais nas mais variadas intensidades. Além de realizar campanhas publicitárias e seminários para se debater o assunto, e também investir em tratamentos e auxílios aos enfermos.