ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 18/02/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê a todos o direito à saúde. No entanto, quando se observa a grande exclusão social sofrida pelos doentes mentais no Brasil, percebe-se que esse direito não é uma realidade plena. Esse quadro degradante é fruto tanto da omissão estatal quanto da falta de ética de parcela da população. Logo, é preciso analisar as raízes desse problema.
Inicialmente, deve-se destacar que parte do sofrimento dos doentes mentais deriva da falta de políticas públicas específicas. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar social, mas isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, devido à falta de campanhas informativas sobre os principais sintomas e tratamentos, parcela da população fica sem o acompanhamento adequado, sem um bom emprego e renda. Consequentemente, o direito à saúde mental se torna um privilégio de classes favorecidas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 11 milhões de brasileiros sofrem de depressão, assim, essa postura passiva estatal precisa mudar.
Adicionalmente, cabe citar atitudes antiéticas de parte da população como promotoras do problema. Conforme o princípio de ética de Kant, deve-se agir como se sua ação pudesse se tornar uma lei universal. Nesse contexto, atitudes preconceituosas contra doentes mentais vão de encontro à ética kantiana, visto que se todos fossem intolerantes uns com os outros a sociedade entraria em profundo desequilíbrio. Dessa maneira, enquanto o preconceito for uma regra na sociedade brasileira, a dignidade do doente mental será uma exceção.
Portanto, ações precisam ser tomadas para solucionar esse impasse. Dessarte, a fim de eliminar o estigma dos distúrbios mentais no Brasil, o Ministério da Saúde deve, por meio de propagandas de rádio e TV, promover campanhas informativas que esclareçam os principais sintomas e tratamentos das doenças mentais, especialmente voltado para público mais carente, que não tem acesso a bons médicos. Ademais, as escolas devem realizar palestras sobre saúde mental, com participação de psicólogos especializados , para acabar com o preconceito enraizado na sociedade. Somente assim, a Constituição Federal deixará de ser teoria e tornar-se-á uma realidade.