ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/02/2021

Promulgada em 5 de outubro de 1988, a Constituição federal brasileira compreende a saúde como direito essencial para a garantia da cidadania e do bem-estar dos indivíduos. Entretanto, no contexto atual, esse ideal não é plenamente desfrutado pela sociedade, uma vez que é possível observar a existência de desafios para combater o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira. Nesse sentido, não só a desinformação social, mas também a negligência governamental impulsionam a problemática.

Em primeira análise, cabe destacar a desinformação social no que se refere às doenças mentais. Acerca dessa lógica, durante o período da Revolta da Vacina(1904), diversos cidadãos do Rio de Janeiro, por terem escasso acesso a informações sobre determinado tema social, acabaram por propagar atitudes negativas para a sua realidade coletiva. Analogamente, esse contexto histórico relaciona-se com a sociedade contemporânea que, por não saber que qualquer sofrimento psíquico é classificado como doença mental, associam esse conceito somente à perda de sanidade da mente. Por conseguinte, os indivíduos tendem a acreditar que os transtornos psíquicos não fazem parte de suas vidas e se recusam a diagnostica-los.

Outrossim, vale ressaltar a ineficiência estatal com relação ao incentivo do diagnóstico da depressão. Nesse viés, o sociólogo Zygmunt Bauman, em seu trabalho sobre “Modernidade líquida”, propõe que os Estados modernos perderam sua função social, mas conservaram seu controle sobre o coletivo. Sob essa ótica, o Poder Público brasileiro pode ser relacionado ao exposto, pois a insuficiência de investimentos estatais na contratação de psicólogos, perpetua um cenário de dificuldade cidadã de obter ajuda médica para identificar o quadro depressivo e de uma aparente inexistência dessa doença. Logo o Estado não está cumprindo seu papel de garantir o bem-estar social.

Portanto, medidas são necessárias para erradicar a mazela. Sendo assim, urge que o Ministério da Educação promova, por meio de verbas governamentais, a distribuição de cartilhas educativas- produzidas por médicos- que informem o verdadeiro significado de doença mental e afirmem que o conceito pode significar qualquer pertubação psíquica., a fim de desconstruir a desinformação da sociedade. Ademais, o Ministério da Saúde, órgão responsável pelas políticas públicas de bem-estar mental, deve ampliar a oferta de psicólogos para diagnosticar quadros de depressão, por intermédio da criação de concursos públicos para a contratação desses profissionais de saúde, com o intuito de eliminar a negligência governamental. Desse modo, a realidade se aproximará das concepções defendidas pela Constituição de 1988.