ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 20/02/2021

Desde o advento da globalização o mundo tornou-se um ambiente mais dinâmico e, paralelamente, mais exigente. Nesse sentido, em busca de alcançar a idea de sucesso pregada por essa nova configuração social muitos indivíduos acabam atingindo níveis de saturação tão extremos que têm sua saúde mental comprometida por transtornos como ansiedade, bipolaridade e depressão. A problemática torna-se ainda mais grave a medida que, embora sejam cada vez mais frequentes entre os brasileiros, ainda são reprimidas e tidas como tabu, dificultando a resolução do impasse. Diante disso, convém analisar como essas patologias atingem cada vez mais precocemente a população e como a falta de amparo e empatia as perpetuam no cenário hodierno.

Mormente, é imperativo salientar que os fatores que contribuem para o surgimento de doenças mentais começam ainda na juventude. Sob esse aspecto, o documentário “Take your pills” demonstra como a exigência para escolha de uma carreira e pela inserção no mercado de trabalho causam prejuízos à sanidade mental dos jovens, os quais, por medo de revelarem seus problemas e serem taxa dos como “fracos” ou “incapazes”, tomam, indiscriminadamente, remédios que prometem melhorar seu desempenho e frear os sintomas dos transtornos. Dessa maneira, tem-se hoje uma sociedade que além de propiciar o aparecimento dessas doenças, ainda as estigmatiza de forma que os pacientes sintam-se culpados por tê-las e, por conseguinte, preferem omiti-las a buscar tratamento, fato que inviabiliza a solução do impasse.

Outrossim, vale ainda observar que outro perpetuador das infermidades mentais é a falta de empatia nas relações interpessoais. Segundo o conceito de modernidade líquida do sociólogo polonês, Zygmunt Baummaun, as relações pessoais atualmente estão extremamente frágeis e superficiais, de modo que, mesmo diante de um convívio diário, pessoas com sintomas de distúrbios mentais são ignoradas ou todas como “frescas” e, assim, excluídas. Desse modo, o tabu acerca desse assunto descredibiliza cada vez mais o tratamento e promove a acentuação das infermidades.

Portanto, urge que as medidas cabíveis sejam tomadas para reverter o cenário. Em primeiro lugar, é preciso que o Ministério da Educação e Cultura, por meio de uma parceria com o Ministério da Saúde, desenvolva um projeto de lei, a ser entregue à Câmara dos deputados, que vise cuidar da saúde mental dos jovens. Nele, deve conter a obrigatoriedade da disponibilização de atendimento psicológico em todas as instituições de ensino. Esses profissionais devem ser capacitados para identificar alunos com algum transtorno e oferecer assistência, também, aos que não forem diagnosticados, a fim de evitar possíveis distúrbios. Espera-se com isso minimizar a questão das doenças mentais e os estigmas associados a ela e, finalmente, poder aproveitar apensas os benefícios da globalização.