ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 12/05/2021
“A Letra Escarlate”, romance ambientado no século XVII, retrata a árdua jornada de Jesse, jovem que, após ser julgada por ‘desvios morais’, é condenada a carregar um emblema costurado à roupa. Fora da ficção, é fato que a estigmatização capturada no livro ainda é realidade na sociedade brasileira quando fala-se das pessoas com doenças mentais, as quais, historicamente negligenciadas, hoje sofrem com a ignorância moderna. Destarte, faz-se essencial compreender os fatores que tornam tal problemática real.
Convém ressaltar, a princípio, a história de humilhação e perseguição intrínseca aos transtornos mentais. O seriado “American Horror Story” demonstra como bipolares foram bestializados por médicos e outros indivíduos no início do século XX. De tal modo, a construção de rótulos e estigmas associa-se à perpetuação do passado cruel ao passo que os doentes eram vistos como ‘bestas’.
Ademais, a falta de informação dentro das casas do Brasil -um dos países mais deprimidos do mundo- sobre os problemas psicológicos corrobora para a construção de crianças preconceituosas, que formarão adultos intolerantes. Paulo Freire, grande educador, defende que os homens são educados mediatizados pelo meio que vivem; logo, um seio familiar ignorante compactua para a disseminação de um discurso estúpido contra aqueles que lidam com problemas psicológicos.
Portanto, é necessária a tomada de medidas que atenuem o quadro vigente no Brasil. Desta maneira, é mister que os ministério da saúde e da educação, com ajuda dos veículos midiáticos, elabore e divulgue conteúdos didáticos que informem e conscientizem a população sobre a real seriedade das doenças mentais e do consequente problema da estigmatização destas. Somente assim, será possível a construção de uma sociedade livres de “emblemas condenadores” como o de Jesse.