ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 24/02/2021
O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade por medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito aos transtornos mentais. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos em virtude da falta de conhecimento e da lenta mudança na mentalidade social.
Em primeira análise, a falta de conhecimento mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Diante disso, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica uma causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre o tema, sua visão será limitada, dificultando sua resolução.
Além disso, os estigmas associados às doenças mentais, encontram terra fértil na lenta mudança da mentalidade social. De acordo com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, percebe-se que a questão está fortemente ligada ao pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem em um contexto social, no qual a saúde mental não é vista como algo importante, a tendência é adotar o mesmo comportamento, o que torna ainda mais difícil a erradicação do problema.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, as prefeituras, em parceria com o governo do estado, devem proporcionar a criação de oficinas educativas, a serem realizadas nas escolas públicas. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras com psicólogos e psiquiatras que orientem sobre o tema os jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema.