ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 26/02/2021
Nos dias atuais, o assunto de doenças mentais recebe mais foco do que nunca e, consequentemente, sofre por causa de desinformações mais do que nunca. É possível observar as várias maneiras que esta ignorância ao redor do tema afeta as pessoas com transtornos e as excluem da sociedade.
Primeiro, se percebe como os preconceitos da sociedade brasileira tornam pessoas que precisam de ajuda e tratamento em ameaças. A visão que grande parte da população possui de uma pessoa com uma doença mental como a esquizofrenia, por exemplo, é a de alguém perigoso, incapaz de pensar ou se comunicar, quase um animal que precisa urgentemente ser internado longe da sociedade. Um caso recente que mostra esse preconceito ocorreu com Raíssa, participante do reality show “A Fazenda 12” que possui transtorno de personalidade borderline (TPB). Ao passar por uma crise durante o programa, ela recebeu inúmeros comentários na Internet dizendo que estava “desequilibrada” ou “louca”, desconsiderando a possibilidade da participante não ter tido controle sobre suas ações devido à instabilidade emocional da qual pessoas com TPB sofrem.
Outro fator que indica este estigma é o descaso que a sociedade tem com as doenças mentais. Por exemplo, o encerramento de programas de saúde mental pelo governo de Jair Bolsonaro revela como esse descaso dificulta o acesso a tratamentos adequados a esses transtornos. Além disso, em tempos onde o número de pessoas com depressão e ansiedade aumentou exponencialmente por causa da pandemia e do isolamento, a demanda de trabalhos em várias empresas e escolas cresceu de forma que isso apenas agregou ao estresse e exaustão de trabalhadores e estudantes que já estavam sofrendo com problemas mentais.
É de extrema importância que seja dada devida atenção a essas doenças, que a população seja conscientizada sobre seus riscos e sintomas e que programas sejam criados para tratá-las. No entanto, o primeiro passo que a sociedade deve dar é largar esses estigmas, estudar e discutir sobre esses transtornos e encará-los como eles realmente são.