ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 26/02/2021

Doenças mentais e a necessidade de falar sobre isso na sociedade brasileira

As doenças mentais são muito mais comuns e correntes na nossa sociedade do que é imaginado, como por exemplo, a depressão, que atinge mais de 11,5 milhões de brasileiros, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A sociedade brasileira, que não tem um suporte suficiente do governo, não tem conhecimento básico sobre saúde mental. Sem uma discussão e propagação correta do assunto, as doenças mentais parecem algo longe da nossa realidade e o assunto acaba se tornando uma preocupante bola de neve de “achismos” e estigmas na sociedade.

No filme “Coringa” o protagonista é um homem que sofre de transtornos mentais que comete diversos crimes como, por exemplo, dezenas de assassinatos. Quando se pensa nos motivos de ele ter cometido tais crimes, as pessoas pensam diretamente em suas doenças mentais, entretanto, de acordo com o psiquiatra Eduardo Egídio Nardi, professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as doenças mentais geralmente não levam ao comportamento violento. “O nível de transtorno psicológico que gera a deterioração do indivíduo, como o emagrecimento exagerado e os vícios [o personagem fuma durante todo o filme] é raro, mas possível. Já o volume de violência é incomum para qualquer transtorno psiquiátrico”, diz Nardi.

A forma como o público relaciona os transtornos mentais da personagem com a violência mostra como o estigma e os preconceitos na sociedade estão entrelaçados com a deficiência governamental de propagar campanhas de conhecimento público sobre saúde mental e sua importância. Além da forma como as pessoas julgam o filme, existem milhares de situações na vida cotidiana que semeiam estereótipos sobre saúde mental, como por exemplo pessoas que dizem que transtorno mental é “frescura” ou “forma de chamar atenção”.

Em suma, dentre muitos agentes causadores de estigmas sobre transtornos mentais, o principal (e mais preocupante) problema é a carência de ensino sobre o tópico de saúde mental nas escolas e nas casas. Promover campanhas informacionais é um ótimo fator para se dar início ao combate aos estereótipos na sociedade, espalhando informativos pelas ruas e escolas que normalizam doenças mentais como algo que atinge boa parte da população. Pensando também, nas pessoas que sofrem com transtornos, o ministério da saúde poderia disponibilizar mais profissionais que tratem de saúde mental em postos de saúde, como por exemplo, psicólogos, psicanalistas e enfermeiros especializados.