ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 28/02/2021

Em 1934, foi publicada a obra São Bernardo – de Graciliano Ramos -, uma das maiores representantes da Segunda fase do Modernismo brasileiro. Assim, nos conturbados anos das décadas de 1930 e 1940, tendo em vista as crises econômicas e políticas em todo o mundo, os intelectuais voltaram-se para temáticas sociais. Com efeito, na contemporaneidade, o Brasil enfrenta a questão do estigma associado às doenças mentais, que persiste influenciado pela escassez de discussões técnicas sobre suas causas e pela ausência estatal.

Em primeiro plano, a carência de debates férteis evidencia-se como responsável pela conservação do problema. Nesse sentido, o filósofo alemão Jürgen Habermas ensina que, por meio dos regimes democráticos da Modernidade, podem-se criar diálogos e participações – sob a lógica da autoanálise – capazes de estabelecer a harmonia entre interesses individuais e coletivos. Nessa perspectiva, é possível afirmar que o silenciamento diante do estigma associado às doenças mentais emerge como origem da problemática e corrobora sua manutenção. Logo, por dedução analítica, um amplo debate social se impõe com o intuito de atuar nas raízes da questão.

Em segunda análise, é fundamental observar a omissão do Estado como fator que influencia no assunto. De acordo com Thomas Hobbes, o Estado é responsável por organizar a sociedade e garantir o bem-estar comum. Contudo, devido à falta de atuação dos escalões de governança, o estigma associado às doenças mentais surge no tecido social e impede o pleno exercício da cidadania por significativa parcela da população. Dessa maneira, a estabilidade social é mitigada e garantias básicas são cerceadas.

Urge, pois, que medidas estratégicas sejam adotadas para solucionar a problemática. Assim, o Ministério da Educação e Cultura - em conjunto com a iniciativa privada – deve incentivar a leitura de livros que abordem as doenças mentais, por meio de exposições e mostras culturais abertas ao público e que divulguem as obras, para que seja exposta a relevância do debate acerca do problema. Ademais, os professores podem realizar o processo mediador entre as questões que envolvem a temática e a sociedade civil. Dessa forma, cabe à sociedade olhar para a questão com mais empatia, pois como escreveu Paulo Leminski: “Em mim eu vejo o outro”.