ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 28/02/2021
A necessidade para manter a estabilidade e a harmonia social sempre estiveram presentes nas mais diversas conglomerações sociais. A marginalização dos “indesejados”, bem representado na obra “Capitães da Areia” de Jorge Amado, provém de uma sociedade na procura de manter o “status quo” que, não só se limita à desigualdade social, mas também à exclusão social ocasionada pela perseguição e a consequente ignorância sobre o assunto . Nesse contexto, é correto afirmar que o Brasil, infelizmente, não é a exceção a regra, com muitos ainda sofrendo com a estigmatização gerada por esses problemas.
Em primeiro lugar, é pertinente analisar como o tratamento ofertado aos pacientes foi feito ao longo do tempo. O Hospital Colônia de Barbacena — cujos eventos são amplamente abordados no livro " O Holocausto Brasileiro" de Daniela Arbex — é um exemplo vívido de um péssimo tratamento dado aos pacientes que morriam pelas condições insalubres e pelas torturas diárias, caracterizando uma grave violação aos Direitos Humanos. Destarte, é possível concluir que, no Brasil, houve uma má recepção quanto a esses pacientes vítimas da marginalização da alta sociedade da época.
Ademais, a falta de conhecimento sobre o assunto complementa para a alienação desses indivíduos. Tendo em vista que o assunto é negligenciado por uma boa parcela da sociedade, embora seja o que mais cresceu nas últimas décadas. Segundo dados da OMS, uma em cada quatro pessoas sofrerá de algum distúrbio mental em algum momento da vida, o que revela um quadro preocupante quanto à aceitação, por parte da sociedade, para esse indivíduo que , possivelmente, sofrerá com a ignorância e descaso quanto ao tema. Portanto, é preciso um maior zelo aos cuidados e a procura de maior conhecimento para amenizar a situação dos afetados.
É possível inferir, pois, que o Brasil ,assim como outros países, possuiu uma grave deficiência nos investimentos e no acolhimento desses pacientes. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve, por meio de campanhas de conscientização digitais, democratizar o acesso às informações referentes ao assunto. Isso sendo por manuais simplificados detalhando cada distúrbio e, principalmente, sobre a melhor forma de lidar com eles, para assim haver uma maior simpatização direcionado ao afetado. Por conseguinte, será possível minimizar os efeitos da estigmatização e reverter o processo de exclusão na atual sociedade brasileira.