ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 01/03/2021

Na série “Greys Anatomy”, a médica Ellis Grey desenvolve distúrbios psíquicos após vivenciar traumas amorosos. Na trama, por conta do cargo de alto prestígio, a personagem não consegue o tratamento adequado, pois o estereótipo e a postura deveriam ser mantidos. Contudo, tal realidade não se restringe apenas as telas, visto que, no Brasil, as pautas sobre saúde mental, aliadas aos preconceitos, são cada vez mais comuns. Sendo assim, esse quadro social é fruto, principalmente, da ignorância civil e da influência midiática.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que as redes sociais contribuem para a permanência dos estigmas mentais, já que induzem os usuários a se adequarem a um falso padrão. Segundo a obra “Sociedade do Espetáculo”, do sociólogo Guy Debord, a população sempre está de máscara, interpretando um personagem, o que impede a transparência e afetas as relações. Nesse sentido, os grupos que são acometidos pelos transtornos sofrem julgamentos e possuem dificiuldades em aceitar o estado psiquiátrico, o que gera impasses no tratamento e auxilia na permanência do sofrimento. Dessa forma, a temática de Ellis se perpetua ao longo das gerações.

Paralelo a isso, o defasado contexto civil também é precursor da problemática, uma vez que a sociedade contemporânea carece de valores coletivos. Com isso, os rótulos são, por vezes, impostos pela falta de informação, o que faz com que haja distanciamento e, até mesmo, apatia pela condição alheia. Outrossim, uma nação atrelada a pensamentos obsoletos e que não possui o conhecimento sobre a alteridade, corrobora na banalização dos diagnósticos.

Diante do exposto, são necessárias medidas que minimizem o cenário social. Logo, cabe ao Conselho Especial de Comunicação Social a tarefa de atenuar essa padronização, por meio de publicidades - veiculadas nas mídias no período noturno, horário de maior audiência -, que tenham como objetivo transparecer questões cotidianas, bem como estilos de vida reais, à vista de possibilitarem uma maior inclusão, evitando grandes comparações. Ademais, compete ao Ministério da Educação o dever de ressocializar, desde as idades tenras, a empatia, por intermédio de palestras, ofertadas pelos professores de sociologia nos horários letivos, as quais introduzirão conceitos sobre coletividade e a importância de ajudar ao próximo, com o fito de reverter o individualismo criado. Assim, espera-se que a teoria de Guy seja compreendida na modernidade.