ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 05/03/2021

O que é ser normal? O Brasil historicamente se apresenta com a necessidade de definir, julgar e selecionar indivíduos, sem ao menos conhecer a realidade que os circunda. Dessa forma, portadores de doenças mentais sofrem com os estigmas de um “padrão” utopicamente definido. Nesse sentido, como se não bastassem as inúmeras desigualdades existentes no País, o brasileiro, de modo geral, convive com essa problemática, tentando se adequar a ideais construídos por uma sociedade “doente”, que carece de humanidade. Em primeiro lugar, vale enfatizar as consequências da relação entre o comportamento seletivo e as pessoas portadores de doenças mentais no Brasil. Sendo assim, apesar de, ao longo da história, o País ser considerado altamente preconceituoso, hoje, seus cidadãos ainda continuam necessitando da inclusão social, graças a uma manutenção de comportamentos. Diante desse fato, o livro “Raízes Brasileiras” de Sérgio Buarque de Holanda traz o viés segregacionista atemporalmente presente e influenciador da criação de estigmas, um dos principais problemas enfrentados pelos portadores de doenças mentais. Dessa maneira, é visível um problema estrutural no Brasil, que ao estabelecer padrões, como “normalidade”, sempre terá a inclusão social deficiente, além de ferir princípios éticos e humanitários. Somado a essa situação, é preciso entender que, devido ao cotidiano, enfrentado pela maioria da população, raramente alguém é “normal”. É de praxe da vida requerer autonomia, sucesso e, principalmente, saúde mental, porém, na maioria das vezes, a verdade é que o indivíduo costuma procurar esquecer-se do cotidiano. Nesse cenário, a arte, por ser uma poderosa forma de expressão, pode contribuir para essa “fuga”. A exemplo disso, tem-se as obras do Expressionismo, movimento vanguardista que ajudava seu autor a expressar seus sentimentos através da arte, proporcionando a interpretação das visões de vida de seus artistas, como Vicent Van Gogh, estudado até hoje nas escolas. Devido a isso, o acolhimento das diversas visões de mundo, faz-se necessário aos brasileiros. Portanto, visto que os estigmas presentes na realidade dos portadores de doenças mentais no Brasil se devem à manutenção de comportamentos históricos, aliado a padrões atuais, cabe ao Ministério da Cidadania promover ações que congreguem a inclusão. Para isso, campanhas de sociabilidade, como a criação de feiras de arte, que permitam a interação dessas diversas interpretações de mundo, possibilitará uma maior inclusão, derrubando os estigmas.