ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 09/03/2021
A série televisiva “13 razões do porque” retrata a vida de uma jovem que sofria com doenças mentais, como a depressão e a ansiedade, e não recebia o apoio necessário para superar esse problema. Fora da ficção, muitos distúrbios psicológicos são estigmatizados perante a sociedade. Essa realidade permanece no Brasil devido à desumanização e precaridade da medicina psíquica nos hospitais, mas também às frustrações diante da realidade, situação ampliada pelos modelos criados nas redes sociais.
Em primeira análise, observa-se que os distúrbios mentais são pouco tratados nos hospitais brasileiros, tanto pela falta de profissionais adequados, quanto pelo preconceito em relação à seriedade desses problemas. De acordo com um artigo publicado pela OMS, Organização Mundial da Saúde, há uma tendência de desumanização da medicina nos países subdesenvolvidos, ou seja, a maioria dos médicos prestam serviços atentos às dores físicas, que julgam mais importantes, e negligenciam a saúde mental e os sentimentos do paciente. Isso acontece porque existem poucos profissionais disponíveis para o atendimento de um grande número de pessoas, assim, casos de fraturas por exemplo, tendem a ser tratados com mais atenção porque parecem mais urgentes. Além disso, a maioria dos médicos não recebem, durante a formação acadêmica, um treinamento adequeado para se comunicarem e acolher sentimentalmente aqueles que necessitam.
Outrossim, as redes sociais proporcionaram um espaço de relações marcadas pela supervalorização de imagens perfeitas, em que os espectadores se frustram diante de uma realidade falsa e desenvolvem problemas psicológicos de autoaceitação. Segundo o filósofo Guy Debord, em sua análise do termo “sociedade do espetáculo”, a humanidade é repleta de indíduos com desejo de atenção, que escondem a realidade problemática de suas vidas para destacar a supercialidade e a melhor perspectiva. Desse modo, os usuários da internet se autorotulam diferentes, desprivilegiados e inferiores aos diversos famosos que publicam no Facebook, Instagram e Twitter cenas de luxo, felicidade e beleza. Consequentemente, o desânimo com a tentativa de se igualar ao modelo criado por essas pessoas, aumenta na frequência da depressão, ansiedade e crises de autoestima.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, por meio da parceria com clínicas privadas de psicólogos e psiquiatras, organizar e oferecer, gratuitamente, cursos profissionalizantes que abordam como atender pacientes com problemas mentais. Além disso, direcionar parte do capital governamental para a aquisição de leitos destinados ao tratamento desses distúrbios. Assim, as pessoas se sentirão mais acolhidas e receberão diagnóstico e ajuda para as doenças psíquicas. O Ministério da Ciencia, Tecnologia e Inovações também deve estimular a exposição de realidades problemáticas entre famosos