ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 11/03/2021

Em seu livro “Utopia”, Thomas More imagina uma sociedade esclarecida, em que todos são capazes de participar ativamente de um processo transformador de conscientização. Diante disso, é lícito afirmar que, no que concerne à saúde pública, o Brasil está distante do ideal de More, pois o país ignora medidas que, potencialmente, minimizariam o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira. Assim sendo, faz-se mister desvendar as origens legislativas e as consequências constitucionais dessa problemática, a fim de propor caminhos para combatê-la.

Em primeira instância, é fulcral ressaltar a insuficiência legislativa como perpetuadora desse cenário deletério. Segundo Aristóteles, a política tem a função de preservar o bem-estar coletivo entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, diferentemente do pressuposto do filósofo grego, isso não ocorre no Brasil, visto que a falta de atuação estatal acerca da criação de leis que coíbam o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira - valorizando a saúde mental, por exemplo - permite que esse quadro seja uma realidade contundente no país. Logo, para aproximar-se do pressuposto de Aristóteles, a passividade do governo deve ser superada.

Ademais, as repercussões desse imbróglio são incontestáveis. Por esse ângulo, convém salientar que a saúde mental está diretamente relacionada à capacidade de enfrentar os desafios e as mudanças da vida cotidiana com equilíbrio. Nessa lógica, indivíduos mentalmente doentes encaram desafios nocivos, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar e outros transtornos mentais graves, fenômenos que estão em desacordo com os preceitos da Carta Magna brasileira. Conforme a Constituição Cidadã, garante-se à população a inviolabilidade do direito à saúde, o que destoa da realidade do Brasil, uma vez que, de acordo com o site de notícias G1, uma em cada nove pessoas sofre de transtornos relacionados à falta de saúde mental no país. Portanto, evidencia-se a necessidade de enfrentamento desse problema, de modo a cumprir a Lei Maior.

Assim, para combater o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, o Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, deve criar novas leis. Tal efeito pode ser alcançado através de um plano intitulado “Preconceito Zero”, tendo como objetivo valorizar a saúde mental, por meio de maiores investimentos para informação e para tratamento, o que mitigaria o impacto nocivo do problema, e, consequentemente, asseguraria a saúde mental em escala nacional. Dessa forma, criar-se-á uma sociedade esclarecida, tal qual ocorre no ideal de More.