ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 15/03/2021

Aristóteles, filósofo da antiguidade, desenvolveu seus estudos e acreditava que o homem deveria viver de acordo com a mediania para chegar-se a felicidade. Entretanto, nos dias atuais, sabe-se que a liquidez é fator principal da sociedade moderna e isso muitas vezes leva o homem ao extremo. Nesse âmbito, o estigma associado às doenças mentais leva a população brasileira a um descuido na saúde pública, fortalecendo os discursos preconceituosos nas redes sociais, por exemplo.

Em primeira instância, é imprescindível atentar-se para falta de assistência pública às pessoas com doenças mentais no Brasil. Tem-se conhecimento de que o Brasil é o país mais depressivo da América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde, e ainda assim, em 2019 o Sistema Único de Saúde (SUS) perdeu verbas para o tratamento desses transtornos. Na ficção a americana DC Comics, retratou no filme “O Coringa” essa temática, onde o personagem principal sofre com a falta de assistência, que interrompe seu tratamento. Assim sendo, é importante destigmatizar essa questão, para que haja um tratamento eficaz, já que todos estão suscetíveis a sofrer desequilíbrios em algum momento da vida.   Ademais, a descrença nos transtornos mentais, por parte de toda sociedade, leva ao ambiente virtual a propagação de discursos preconceituosos. É notório que a Quarta Revolução Industrial trouxe à humanidade o advento da tecnologia, na qual foi possível o acesso a diversas fontes informacionais. Em contrapartida, as redes sociais podem se tornar nocivas à saúde de quem já se encontra debilitado. No Brasil, o caso do humorista Whindersson Nunes ficou conhecido após sua declaração de que estaria depressivo, e após o anúncio foi julgado em toda rede. Assim sendo, é possível perceber que o estigma acerca das doenças mentais têm criado um exército de descrentes que idealiza o conceito de saúde, ou a falta dela.

Diante disso, fica imprescindível a quebra desse preconceito social que impede um tratamento dessas doenças, e propaga o errado conceito de felicidade. Dessa forma, com o fito de amparar essa parcela da sociedade e assegurar seus direitos, cabe ao Ministério da Saúde a retomada de investimentos no SUS para o setor de doenças mentais. Além disso, também faz-se necessário campanhas para combater esse estigma, com figuras brasileiras notáveis, como o humorista piauiense. Assim, estaria-se levando conhecimento e representatividade, para que assim pudéssemos efetivar essa sociedade marginalizada.