ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 15/05/2021

Na canção “Popular Monster” da banda Falling in Reverse, o vocalista expressa sua experiência com transtornos psicológicos, verbalizando suas angústias e o forte sentimento de ser incompreendido. Assim como o artista, milhares de brasileiros sofrem com problemas associados a saúde mental, porém, com a modernização da sociedade, é possível observar uma desumanização do indivíduo, causando um aumento nos índices de doenças mentais. Por mais que o tema se tornasse mais relevante socialmente, criou-se um estigma em relação a tais transtornos, os associando com demonstração de fraqueza e afastando cada vez mais as pessoas da busca por um tratamento.

Em primeiro plano,  é importante abordar o transtorno de ansiedade como a principal doença mental do século XXI. Esse distúrbio tem como definição a extrema preocupação e medo de situações cotidianas, dificultando a realização de tarefas consideradas “comuns”. Após a Revolução Industrial, a produtividade e o sucesso profissional passam a ser mais valorizados do que o bem estar do indivíduo, em consequência disso, a sociedade se tornou gradativamente mais preocupada. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil lidera o ranking mundial de ansiedade, onde cerca de 19 milhões de pessoas convivem com esse transtorno. No entanto, apesar de atingir uma parte significativa da população, tal assunto ainda é considerado um grande tabu social em que os cidadãos afetados têm seus sentimentos descredibilizados por aqueles ao seu redor.

Paralelo a isso, vale também ressaltar transtonos que não têm tanto reconhecimento na sociedade por serem considerados raros, tendo a esquizofrenia como seu principal exemplo, afetando apenas 1% da população. Classificada como uma doença mental grave, a esquizofrenia afeta o comportamento e os pensamentos do paciente, fazendo com que ele se desconecte da realidade. O livro “A Menina Submersa” de Caitlín R. Kiernan conta a história de Imp, uma garota que sofre de esquizofrenia. Narrado pela própria protagonista, a autora apresenta o funcionamento da mente de uma pessoa que convive com a doença, trazendo informações para o leitor. A falta de conhecimento da população é a principal causa dos preconceitos contra esse distúrbio e obras como a de Caitlín ajudam a quebrar essa visão.

Tendo em vista o que foi discutido, conclui-se que a presença desses estigmas em relação as doenças mentais causa um impacto significativo na sociedade brasileira. Por mais que já exista uma política pública voltada para a saúde mental, é necessário que o Ministério da Saúde, atrelado a mídia, incentive cada vez mais a busca por tratamento. O papel da imprensa é fundamental na quebra dos estigmas, ao colocar propagandas informativas sobre o assunto nos horários entre 18h e 21h, visando atingir a população madura, pode-se levar conhecimento para os lares brasileiros sobre um tema tão importante.