ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 17/03/2021

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. Ao analisar este pensamento, a sociedade deve reconhecer que valorizar as situações que a rodeiam é, acima de tudo, reconhecer seu próprio direito como participante no destino da sociedade. Sendo assim, o estigma perante às doenças mentais não só é uma forma de atrasar a evolução social no país, como também deslegitimizar as questões sociais que estão em debate, presente nas leis, relacionando-a com a desumanização imposta e a falta de inclusão.

É indiscutível que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Conforme Aristóteles, a poética deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de inclusão social rompe essa proposta, haja vista que, embora esteja previsto na Constituição o princípio da isonomia, no qual todos devem ser tratados igualmente, muitos cidadãos se utilizam da deficiência para proferir ofensas e excluir socialmente pessoas nessas condições.

A coletividade brasileira é estruturada por um modelo excludente imposto pelos grupos dominantes, no qual o indivíduo que não atende aos requisitos estabelecidos, sofre desigualdade social. Assim, ao analisar a sociedade pela visão de Lévi-Strauss, nota-se que tal deficiente não é valorizado de forma plena, pois as suas necessidades rotineiras e a sua inclusão social são tidas como uma obrigação pessoal, sendo que esses deveres, na realidade, são coletivos e estatais. Por conseguinte, o apoio a portadores de doenças mentais é prejudicada pela negligência social, de modo que escolas e profissionais não estão capacitados adequadamente para oferecer ensino, ajuda psicológica e os demais auxílios necessários, devido a sua exclusão, já que não se enquadra no modelo social imposto.

Pode-se perceber, portanto, que as ideologias perante às doenças mentais dificultam a erradicação deste problema. Para que essa erradicação seja possível, é necessário que as mídias utilizem sua capacidade de propagação de informação para promover o apoio à este grupo e difunda campanhas governamentais para a denúncia de qualquer tipo de agressão, física ou oral, contra a população inclusa nessas circunstâncias. Ademais, é preciso que o Poder Legislativo crie um projeto de lei para aumentar a punição de agressores, para que seja possível diminuir a reincidência. Por fim, a vida pós-caverna dará lugar a um mundo de relações mais igualitárias, realistas e favoráveis à democracia.