ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 17/03/2021

Revisitando algumas obras do Ultrarromantismo, é possível notar sentimentos de tristeza e desesperança em diversos autores. Tal comportamento é também reproduzido nos dias atuais por indivíduos portadores de depressão, os quais apresentam um quadro muito simular aos escritores de séculos atrás. Esta e outras disfunções psíquicas, no entanto, enfrentam uma grave problemática: o estigma. Assim, o bem-estar de uma grande parcela de indivíduos acaba sendo comprometido.

Immanuel Kant afirmava que “o homem é aquilo que a educação faz dele”. Com esse pensamento, o filósofo nos mostra como a maneira a qual o ser humano enxerga o mundo está ligada às informações que possui acesso. Desse modo, sem uma devida sabedoria no meio social acerca de como doenças mentais realmente operam e são tratadas, indivíduos neuro-atípicos serão cada vez mais expostos à ignorância do senso comum. Foi o caso da ex participante do reality show “A Fazenda”, Rayssa, ser constantemente taxada como louca e desequilibrada, ao manifestar sintomas do Transtorno de Borderline.

“Todos pensam que somos perfeitos, não os deixem olhar atrás das cortinas”. Com o trecho da música “Dollhouse” da cantora Melanie Martinez, é possível traçarmos um paralelo ao ideal contraditório de perfeição nas redes sociais. Mídias como o Facebook e o Instagram propagam a inúmeros brasileiros o pensamento de que a felicidade só é alcançada seguindo certos padrões de estilo de vida, aparência e status. Consequentemente, cria-se a opinião na mente dos usuários o quanto a vida daqueles ao seu redor é isenta de problemas e frustrações, o que é equivocado. Assim, não só eles podem desenvolver transtornos, como também não perceber que sorrisos e curtidas em fotos nem sempre são sinais de uma boa saúde mental.

Portanto, medidas devem ser tomadas para combater o estigma às doenças mentais no Brasil. A fim de conscientizar os cidadãos sobre transtornos psíquicos, as escolas devem incluir em suas grades matérias onde são abordadas essas questões de saúde, promovendo palestras junto a psicólogos e psiquiatras. Ademais, as mídias sociais devem investir em campanhas publicitárias as quais foquem em mostrar a existência dessas disfunções na sociedade, com a participação de influenciadores -os quais os ideais de “perfeição” e adequação a padrões são muito associados – que sejam portadores de alguma dessas debilidades. Assim, muitos brasileiros estarão mais próximos de ter seu bem-estar mental revigorado.