ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/03/2021

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o preconceito relacionado a doenças mentais, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante na sociedade brasileira. Diante dessa perspectiva, cabe analisar os fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a ignorância associada a transtornos mentais. Nesse sentido, tal problema vem permeando entre a sociedade e culminando em uma série de questões como o estereótipo de que doenças mentais são “frescuras”. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a falta de informação como impulsionador desse problema no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde, na América Latina o país mais depressivo é o Brasil, sendo que mais de 11 milhões de brasileiros tem depressão. Diante de tal exposto, observa-se que a saúde mental dos brasileiros não está sendo tratada com devida importância. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, é de suma importância a necessidade de medidas capazes de mitigar essa problemática. Como já dito pelo educador Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Destarte, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicológos, que discutam sobre a saúde mental, afim de conscientizar os indivíduos desde cedo sobre a importância de buscar ajuda e entender que todos tem limites. Dessarte, se consolidará uma sociedade mais saudável mentalmente, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma Locke.