ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 23/03/2021

No livro holocausto brasileiro é retratada a história real do antigo hospital psiquiátrico da cidade de Barbacena, em Minas Gerais, onde os pacientes eram tratados de forma hostil com procedimentos desumanos e sem uma base científica sólida. Paralelamente, na realidade brasileira atual, muitas convicções errôneas acerca das doenças mentais ainda persistem, o que pode prejudicar ainda mais o estado psíquico dos que sofrem com isso. Esse estigma atrelado às psicopatologias tem como causa a falta de informação e atenção por parte da sociedade sobre tal questão, gerando consequências graves aos que sofrem desse mal.

Sob essa perspectiva, é importante destacar as origens da construção desse estigma na sociedade brasileira. Seguindo essa lógica, o filósofo Immanuel Kant em seu estudo sobre o entendimento humano aborda a necessidade de se priorizar e valorizar a razão para alcançar o esclarecimento e a emancipação dos homens. No entanto, contrariando tal princípio, prevalece na cultura brasileira concepções irracionais e infundadas acerca das doenças mentais, como, por exemplo, a associação de problemas psicológicos à loucura e à necessidade de internação e a noção equivocada de que depressão trata-se de uma tristeza passageira ou frescura. Diante disso, nota-se que pouco se sabe sobre saúde psíquica e, além disso,  não há esforços suficientes por parte do poder público para mudar esse quadro.

Como consequência dessa alienação, têm-se inúmeros prejuízos ao bem estar do indivíduo e da população como um todo. Isso porque, diante da falta de informação e habilidade da maioria para lidar com essa questão, muitos sentem-se desamparados e não procuram ajuda profissional, aderindo a medidas equivocadas como a automedicação. Assim, condições como a ansiedade, síndrome de bournout - caracterizada pelo estresse causado pelo excesso de trabalho - e depressão podem ser agravadas, desencadeando consequências drásticas como o suicídio, que, segundo a Associação Panamericana de Saúde, já é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos.

Logo, é necessário mobilizar ações para combater o estigma relacionado às doenças mentais na sociedade brasileira. Para tanto, o Ministério da Educação deve implementar nas escolas programas que espalhem informações sobre as psicopatologias mais comuns, com o intuito de que sejam abandonados os mitos que tanto prejudicam as vítimas desse mal. Isso deve ser feito por meio de palestras interativas e esclarecedoras, ministradas especialmente por psiquiatras. Dessa forma, será formada uma geração mais consciente, solidária e consequentemente mais saudável, tornando cada vez mais raros casos cruéis como o do antigo hospital mineiro.