ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 01/04/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra”. Carlos Drummond de Andrade, poeta moderno, descreve, em seus versos, as dificuldades do eu lírico ao se defrontar com um entrave. De maneira análoga, é notório que a metáfora introduzida pelo autor pode ser comparada com a condição hodierna do Brasil, a medida em que o estigma associado às doenças mentais é uma “pedra no caminho” da sociedade brasileira. Observa-se a insuficiência legislativa e a alienação social como fatores agravantes. Constata-se, a princípio, a insuficiência legislativa. Sob esse viés, é necessário comentar que a Constituição Federal de 1988 garante que a saúde é um direito de todos os cidadãos. Entretanto, essas diretrizes são insuficientes para sustentar os paradigmas atuais, pois não agem diretamente sobre o preconceito social. Essa realidade, muitas vezes, impossibilita a procura de centros hospitalares e gera a banalização das doenças mentais e dos cuidados da saúde mental.
Ademais, é necessário comentar sobre a cultura de aceitação dos brasileiros. Nesse sentido, o célebre autor Graciliano Ramos, por meio da obra “Vidas secas”, retrata a condição de Fabiano, que por não ter acesso à educação, possuía seus direitos negados. Essa realidade não se limita a ficção, haja visto que muitos brasileiros, por não possuir acesso à informação, apenas reproduz opiniões populares que negligenciam a saúde mental. Assim, parte da população apenas internaliza seus sentimentos e dores. Essa realidade evidencia uma cultura de plena aceitação social das normas vigentes.
Portanto, a fim de combater os estigmas associados às doenças mentais, é preciso que especialistas no assunto, em associação com organizações não governamentais (ONGS), também especializadas, desenvolvam vídeos que alertem sobre as reais condições da questão. Esta ação deve ser apoiada à criação de uma “hastag”, para garantir maior engajamento social.