ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 03/04/2021
Na obra “Modernidade líquida”, do filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman, observa-se o individualismo como uma causa da superficialidade dos sentimentos e suas consequências. Infelizmente, fora da literatura e na sociedade brasileira, tal conceito se torna viável, pois a falta de atenção para com o emocional alheio acarreta em um montante, cada vez maior, de pessoas acometidas por doenças mentais. Nesse viés, o estigma que acomete a saúde mental se dá, principalmente, pela padronização das emoções e ausência de posicionamento sobre tal panorama.
A princípio, a aplicação de modelos ideais na vivência cotidiana insere maior pressão psicológica na vida social. Hoje, podem-se destacar as redes sociais como o principal meio para essa ação, nas quais funcionam como criadoras de objetivos inalcançáveis, assassinando a singularidade da vida. Diante disso, a contextualização do “Mito grego de Procusto” é possível, pois ao utilizar a cama como ideal para gigantes e não gigantes, Procusto tenta igualar o inconcebível; como as redes sociais ao estabelecerem pressupostos sobre a vida. Sob essa ótica, um cenário de exclusão é apresentado. Dessa forma, aqueles que não conseguem atingir o proposto são negligenciados e sujeitos ao sofrimento. Ademais, a não possibilidade de se posicionar sobre tal panorama, remonta uma sociedade alienada pelo meio em que vive. Isso se confirma na “Ideologia de manada”, proposta pela filósofa Hannah Arendt; que defende a existência de uma “força” capaz de conduzir a maioria a algo. Essa característica não racional leva a população a não procurar informações, o que induz um agravamento do preconceito e mais sofrimento aqueles que possuem transtornos mentais ou, até mesmo, cria um cenário propício para o surgimento de mais vítimas. Além disso, impede que melhorias sejam criadas, afetando a construção de circunstâncias confortáveis para os possuidores de doenças psiquiátricas. Em síntese, induzir na população à formação de argumentos e opinião se torna imprescindível.
Portanto, a discriminação aos acometidos por transtornos mentais se dá pela padronização das emoções e ausência de censo crítico da sociedade. Diante disso, para garantir melhorias futuras, cabe ao Governo Federal, aliado à mídia, conscientizar sobre o perigo das redes sociais para a saúde mental e a importância de se manter informado, por meio de propagandas televisivas e palestras, para que aqueles que possuem doenças psiquiátricas se sintam acolhidos e reconhecidos, buscando também, amenizar o julgamento alheio e criar uma esfera receptiva. Ademais, cabem às escolas promover debates com os alunos, por meio de rodas de conversa guiadas pelos professores, para estimular nos indivíduos a formulação de argumentos e opiniões. Assim, evitaremos que mais “Procustos” surjam em nossa realidade, garantindo apoio aos que pedem pela singularidade da vida.