ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 02/04/2021
O filósofo existencialista Kierkegaard definiu como “angústia” o sentimento capaz de fazer o indivíduo evoluir em sua vida pessoal, na medida em que instiga a mudança. Em contrapartida, na atual sociedade brasileira, o senso comum atribui às emoções melancólicas um sentido negativo. Logo, há um positivismo utópico seguido de uma falsa sabedoria acerca das condições mentais.
Como a primeira análise, o ideal de manter uma postura positiva frente às dificuldades vivenciadas é problemático, pois configura um cenário no qual deve-se enfrentar tais empecilhos sozinho, alegando que ser feliz já basta. Além disso, a felicidade é atrelada a bens materiais e saúde física, que são usados para diminuir os sentimentos. Frases como “Você tem tudo, não há razão para reclamar” ou “Há pessoas em situações piores do que a sua”, são exemplos. Deste modo, o atendimento psicológico adequado é banalizado.
Ademais, a facilidade de busca por informações, garantida por tecnologias de comunicação, pode contribuir para a disseminação de ideias equivocadas a respeito dos transtornos mentais. Nesse sentido, ao ter conhecimento prévio de determinada doença, acredita-se já ser o suficiente para argumentar e julgar. Frases como “Isso não é depressão, é frescura”, exemplificam o fato citado. Portanto, a forma com que se aborda essa temática em mídias sociais deve ser alterada, buscando maior foco em como ajudar as pessoas nessa situação, durante o convívio em sociedade.
Por conseguinte, medidas devem ser tomadas para que se resolva o problema. O Ministério da Saúde deve promover um projeto de divulgação nos canais de comunicação, por meio de propagandas, retratando a história de indivíduos que sofrem com transtornos psicológicos, a fim de dar visibilidade para a questão. Dessa forma, seria possível diminuir o positivismo e a ignorância a respeito das condições mentais.