ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 07/04/2021

A série “The Good Doctor” mostra um rapaz autista que, contra todas adversidades, consegue uma vaga de médico em um renomado hospital e, com sua avançada inteligência, destaca-se dentre todos os outros profissionais que lá trabalhavam. Apesar da capacidade do protagonista, o espectador pode perceber a maneira que sua condição dificultava suas relações interpessoais, algo bem visível para além da série e bem comum no Brasil atual. Nesse cenário, nota-se uma criação de um estigma e preconceito na sociedade, causado bastante pela desinformação e é perceptível até no tratamento desses pacientes.

Em primeiro plano, é importante ressaltar o fato de que o antigo senso comum em relação ao assunto era de que tais sídromes mentais geralmente eram relacionados à loucura incurável, algo que representa bem a falta de informação da população. A exemplo da depressão, uma pesquisa do IBGE revela que 16,3 milhões de pessoas com mais de 18 anos sofrem da doença, um aumento de 34,2%, de 2013 para 2019. Por se tratar de uma condição não visível a olho nu, muitas pessoas desinformadas a tratam como apenas uma “fase” ou “frescura”, o que causa uma negligência de cuidados à vítima e uma subestimação da síndrome, que pode levar à morte, em casos avançados.

Simultaneamente, o preconceito relacionado às condições mentais pode também ser percebido durante o “tratamento” das pessoas com essas sídromes, na qual os responsáveis por minimizar os impactos das doenças pioram a situação. Um é exemplo é o fato de algumas “clínicas” muitas vezes submetem as vítimas em uma situação de violência, seja ela física ou mental, como foi o caso de um hospital psiquiátrico em Sobral (CE), que possui relatos, registros e fatos sobre maus-tratos, violência e morte em suas instalações, em 2017. Então, em conjunto com a negligência dada às doenças mentais, o péssimo atendimento clínico para essas condições contribuem para o agravamento da situação no país.

Portanto, evidencia-se que as doenças mentais ainda são muito negligenciadas socialmente, o que cria estigmar difíceis de se lidar. Logo, para reverter a situação, seria necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com veículos de comunicação e o Ministério da Educação, dêem visibilidade aos transtornos mentais, por meio de campanhas de conscientização. Essas campanhas poderiam vir a partir de palestras, comerciais  de TV, outdoors e até mesmo da inserção da pauta nos currículos escolares, que visaria a apresentação do tema já às crianças. Assim, afora do fictício mundo de The Good Doctor, veríamos as doenças mentais como realidades passíveis de cura e tolerância.