ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 07/04/2021
No filme “Coringa”, de 2019, Arthur Fleck, um palhaço de rua falido, sofre com um transtorno denominado ’transtorno da expressão involuntária emocional’, onde não consegue controlar o riso, e também sofre de depressão, alucinações e esquizofrenia. Arthur é constantemente ignorado, atacado e negligenciado por sua condição, apatia essa que é retratado dolorosamente ao longo do filme. Fora da ficção, no Brasil, milhões de cidadãos sofrem os mesmos problemas e são, muitas vezes, excluídos como escória pela sociedade.
Em primeiro lugar, a sociedade contemporânea ainda é muito carregada de preconceitos e rótulos, dificultando a interação social desses individuos negligenciados em questão, além de negar apoio, tratamento e, muitas vezes, ignorar as informações acerca dos transtornos mentais. À princípio, a sociedade em geral enxergar a problemática da saúde mental como um problema sério que merece a devida atenção e não como uma futilidade moderna será um grande passo.
Por outro lado, apesar da crise financeira permanente e da restrição orçamentária desde a criação do SUS (Sistema Único de Saúde) e sua regulamentação, é inegável que a redemocratização e o processo da reforma psiquiátrica permitiram a criação de redes assistenciais ao longo e ao largo do país com serviços comunitários, entretanto, essa expansão está estagnada desde 2011, e se carece de dados desde 2015, uma lamentável perda de transparência pelo Ministério da Saúde.
Diante disso, as atividades de promoção e prevenção aos transtornos mentais, de depressão à doenças mais graves, devem receber uma atenção maior, da sociedade e do Ministério da Saúde, para que possamos caminhar para um futuro onde cidadãos como a personagem Arthur Fleck tenham acesso ao apoio e tratamento adequados.
Portanto, é mister que o governo Federal tome as devidas providências acerca da saúde mental dos cidadãos brasileiros. Para isso, urge que o Ministério da Saúde, juntamente com psicólogos do setor público de saúde, criem programas de tratamento individuais e coletivos para as diversas doenças relacionadas no âmbito de saúde mental, além de investir em atividades que promovam a adoção de hábitos saudáveis, medidas para lidar com as emoções, intervenções nas escolas e por meio do ambiente midiático e on-line, e também em programas multissetoriais de prevenção a temas consequências como o suicídio. Assim, ampliaremos as vias de acesso à informação, prevenção e tratamento da saúde mental da nação brasileira, de forma igualitária e justa.