ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 07/04/2021
O descaso com doenças mentais na sociedade brasileira é reflexo da banalização do que não é palpável. Em um modelo social que busca e incentiva a produtividade e o otimismo, o indivíduo é conduzido a reproduzir esses padrões de comportamento, gerando maior dificuldade de expressar seus sentimentos e diagnosticar ou tratar problemas psíquicos.
As redes socias tem desempenhado um grande papel no estímulo desse tipo de comportamento, demonstrando muitas vezes um padrão de vida irreal ou inalcançável ao público. A chamada positividade tóxica é um dos resultados desse fenômeno, onde é induzido muitas vezes a deslegitimização de sentimentos considerados negativos, como encorajar excessivamente atitudes positivas e produtivas, ignorando a realidade e a dor do outro. Visto que as redes ‘‘ditam’’ os novos padrões sociais, ocorre uma grande frustração por parte de quem não corresponde a essas expectativas.
Um dos problemas que alimentou esse estigma foi a manutenção de manicômios, especificamente no século XX. No livro ‘‘Holocausto Brasileiro’’ de Daniela Arbex, é relatado os maus tratos sofridos no Hospital Colônia de Barbacena. Inicialmente, a instituição recebia pacientes que sofriam com psicopatologias, mas, durante a ditadura militar, foi utilizada como local de isolamento para quem fugia da ‘’normalidade’’. As milhares de vítimas viviam em condições desumanas, com superlotação de leitos, falta de alimentos e saneamento básico, fazendo com que muitos não sobrevivessem.
Com o afastamento de pessoas com transtornos mentais da sociedade, houve um apego a esses estigmas, que são reproduzidos até hoje. Muitas vezes, para não ser taxado como louco, negativo ou preguiçoso, o indivíduo nega ou esconde que sofre de determinada condição para não ser julgado com base em esteriótipos, impossibilitando que ele receba ajuda adequada. Principalmente com menores de idade, há negação por parte da família de proporcionar a intervenção profissional, tanto por falta de conhecimento sobre o assunto quanto opiniões baseadas nesses rótulos.
Para que esse problema seja minimizado, o Ministério da Saúde deve fornecer informações através dos meios de comunicação de forma didática, fazendo com que, aos poucos, essas doenças sejam normalizadas. Também deve-se fazer intervenções que tornem o tratamento acessível, investindo em cuidados hospitalares e preventivos. É indispensável que esses serviços alcancem comunidades, oferecendo serviços gratuitos ou de baixo custo para a população de baixa renda.