ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 11/04/2021

A teoria contratualista de Rousseau metaforiza a concessão das liberdades humanas ao Estado, o qual, em troca, seria responsável pela garantia dos direitos. Apesar de ideológico, tal cacordo perde a reciprocidade quando os indivíduos que apresentam desvios psíquicos são estigmatizados e, por vezes, têm seus direitos ignorados. Nessa égide, esses fatores desencadeiam-se, seja pela negligência das escolas ou pela coercitividade exercida pelas plataformas digitais. Por tais motivos, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa inercial problemática.

Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que a educação acerca da ausência de saúde mental e suas consequências é fundamental no processo de formação individual. Contudo, muitas escolas negligenciam tal função ao passá-la às famílias, as quais, por sua vez, redirecionam essa tarefa às escolas, fechando um ciclo inerte e sem valor educacional. Sob essa ótica, os indivíduos crescem associando doenças mentais à loucura extrema, considerando os portadores de tais doenças como seres patológicos. Parafraseando Francis Bacon, é preciso criar oportunidades e não somente encontrá-las. Todavia, o que se vê é o descaso escolar em engendrar medidas que viabilizem uma mudança.

Faz-se mister refletir, ainda, que as redes sociais, herança do mundo globalizado pós Revolução industrial, exercem uma influência, sobretudo, agressiva nos cidadãos. Destarte, há no meio digital a pseudo sensação de perfeição, a qual força os indivíduos a camuflar as reais facetas da vida real, submetendo tais sujeitos a um esteriótipo dominante. Consoante Hannah Arendt, o homem é um ser biopsicossocial, ou seja, apresenta um comportamento não apenas influenciado pelo meio biológico, mas também pelo meio social. Nessa conjectura, percebe-se a forte coercitividade oferecida pela era tecnológica e seus reflexos na psicanálise humana.

Evidencia-se, diante do olhar físico de Isaac Newton, que um corpo só é capaz de sair da inércia se uma força lhe for apliccada. Portanto, urge que o Ministério da Educação insira o estudo sobre as doenças mentais e suas diretrizes em currículo escolar, por meio de palestras, debates e workshops, os quais aconteçam no próprio ambiente escolar e desmistifiquem as falsas colocações associadas às doenças mentais. Inclusive, tenham os pais como plateia, com o  fito de incentivar o diálogo em casa e promover uma sociedade melhor. Assim, a teoria contratualista de Rousseau atingirá a reciprocidade.