ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 13/04/2021
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao estigma associado as doenças mentais. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, cuja diminuição é dificultada em virtude da falta de conhecimento e da lenta mudança na mentalidade social.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a falta de conhecimento presente na questão. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre as doenças mentais, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do impasse.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da lenta mudança na mentalidade social. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que o estigma associado as doenças mentais é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante/opressor/injusto, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Pra que isso ocorra, o MEC juntamente com o ministério da Cultura devem desenvolver palestras em escolas, a serem webconferenciadas nas redes sociais desses órgãos, por meio de entrevistas com vítimas do problema e especialistas no assunto, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema. Outrossim, nesses eventos, é preciso discutir a compreensão das questões socioculturais no combate ao preconceito das doenças mentais, a fim de erradicar esse problema. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe para a problemática com mais empatia, pois, como descreve o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.