ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 16/04/2021
Por volta de 1808, com a chegada da família imperial portuguesa no Brasil, iniciou-se a cruel prática da alienação e estigmatização social das mazelas, principalmente dos denominados loucos. Desse modo, substancial parcela da população canarinha compunha tal marginalizado grupo social, que eram colocados em hospitais denominados: casas de misericórdias, submetidos à situações desumanas de insalubridade. Assim, infelizmente, percebe-se que na hodierna sociedade o cenário não mostra-se muito diferente, principalmente, no quesito de rotulação dos seres humanos, pondo em questão à falta de informação da população quanto às doenças mentais juntamente com a falta de empatia.
Em primeira análise, vale destacar o hospital de Barbacena, mais conhecido como: campo de concentração brasileiro, em que alocavam-se homossexuais, prostitutas, mães solteiras e doentes mentais. Dessa forma, qualquer grupo que oferecesse algum tipo de desconforto social eram destinados ao hospital dentro de trens, similar ao campo nazista de Aushwitz, para serem eliminados. Com isso, tais pessoas eram submetidas à situações deploráveis, incompatíveis com a vida, a ponto de beberem a própria urina ou até mesmo a água do esgoto, totalmente animalizados sem o mínimo de empatia. Nesse viés percebe-se à falta de compreenssão e de informação acerca das doenças mentais, generalizando-as e segregando os doentes de toda a estrutura social.
Outrossim, é importante salientar a reforma manicomial iniciada pelo médico Phillipe Pinell, em que os doentes eram alienados do meio social para receberem tratamentos específicos que prometiam à cura. Desse modo, os pacientes eram cobaias do denominado tratamento moral criado pelo médico, submetidos aos mais absurdos métodos, como a cadeira de choque, sangrias, chicotadas e banhos frios. Assim, observa-se a construção histórica de desumanização e submissão do louco, uma estigmização social criada devido, principalmente, à falta de empatia com tal mazela, não compreendendo seus respectivos sofrimentos e individualidades.
Portanto, infere-se que o Ministério da Saúde promova campanhas por meio da mídia social e televisiva, a fim de mitigar o repudiado preconeito cometido contra os doentes mentais a partir do fornecimento de informação acerca dos séculos de torturam em que eles foram submetidos. Somente assim, casos como o do hospital de Barbacena serão evitados, dando o devido respeito que qualquer ser humano merece, contruindo uma nação justa e solidária.