ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 20/04/2021

Permeada pelo preconceito, a sociedade continuamente despreza portadores de doenças mentais rotulando-os e os afastando cada vez mais do direito de desfrutar uma vida usual como o resto da população. Parte disso vem de um peso histórico, entre os séculos XIV e XX, quando a repressão acontecia por meio de violências físicas e psicológicas praticadas até mesmo por profissionais. Além disso, a desinformação é um fator crucial para a não mudança dessa realidade e, consequentemente, a extensão do sofrimento de milhões de pessoas. Portanto, abordar e solucionar essa problemática deve ser encarado como urgência.

Na série “Ratched” da Netflix (2020), a qual se passa ficcionalmente no ano de 1947, é retratado com realismo a maneira brutal em que pacientes costumavam receber tratamentos em clínicas psiquiátricas. Entre algumas barbáries praticadas, estavam tratamentos de choque, hidroterapia (banhos demasiadamente quentes e frios) e, por fim, a lobotomia, que continha um dos mais chocantes processos: utilizar um picador de gelo para perfurar, através do olho, o encéfalo do paciente, deixando-o, dessa forma, de modo vegetativo. Considernado isso, torna-se indubitável que a luta pela real compreensão das doenças mentais e a aceitação social de pessoas que possuam essas deficiências é de cunho histórico.

Analogamente, a arcaica desinformação alastrada acerca do estigma dos problemas psíquicos é um aspecto que faz a intolerância e a ignorância crescerem. Por conta disso, muitas pessoas têm a ideia de que um tratamento mental deve ser buscado exclusivamente por ou para quem  possui transtornos psicóticos, de personalidade, ideações suicídas, etc. A verdade é que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020 no Brasil 9,3% da população possuía algum transtorno de ansiedade e  quase 6% da população sofria com a depressão, tornando-se assim o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo. Ou seja, com números tão altos, o brasileiro carece de conhecimentos sobre este assunto para se despir de preconceitos e se permitir ter mais qualidade de vida.

Nota-se, portanto, que as raízes históricas e o desconhecimento dificultam a diminuição do estigma ligado às doenças mentais no Brasil. Portanto, é papel do Estado investir com maior intensidade em serviços de atendimento psicológico, como o CAPS, e criar programas de conscientização no que se refere às psicopatologias, usando meios de comunicação que alcancem toda a população. Ademais, é necessário que cada indivíduo faça sua parte para que haja inclusão e respeito quanto aos portadores de patologias psíquicas. Só assim essa problemática poderá ser resolvida.