ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 16/04/2021
O filme Coringa retrata a história do personagem Arthur que sofria da patologia do " Riso" e essa condição psicológica demandava oferta contínua de tratamento psicológico provida pelo governo. Contudo, com cortes de verbas públicas, o protagonista passou a não receber os remédios e a sofrer. Apesar de se tratar de uma ficção, a realidade brasileira não é diferente, o estigma relacionado às doenças mentais é um problema que afeta a todos. Assim, devem ser abordados a falta de prioridade do Estado em combater esse preconceito e o baixo engajamento social para reverter esse quadro.
Em primeira análise, é importante salientar o porquê há falta de prioridade do Estado em combater o preconceito associado às doenças mentais. Ainda que a Organização Mundial da Saúde ( OMS) considere o bem estar humano não apenas à ausência de patologias físicas, mas também à saúde psicológica, a antiga concepção médica de tratar somente enfermidades exteriores rege, em especial, na administração governamental de recursos financeiros para o Sistema Único de Saúde ( SUS). Desse modo, com baixo investimento na medicina mental, no SUS, ocorre a persistência da desvalorização nessa área e, por conseguintem a permanencia do estigma.
Ademais, o baixo engajamento social para reverter o preconceito com as doenças mentais se relaciona a existência de estigma em relação à saude psicológica marcada por uma minimização da gravidade de patologias de natureza psíquia. Cita-se, por exemplo, a depressão que afeta milhões de brasileiros, porém, muitas vezes, só é destacada no período do " Setembro amarelo". Com efeito, percebe-se que a participação da sociedade precisa ser constante para enfrentar essa problemática.
Portanto, é possível evidenciar que o estigma associado às doenças mentais é um problema que necessita ser combatido. Diante do exposto, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, criar um projeto nacional de valorização da saúde psicológica, por meio de verbas públicas perenes ao SUS e de campanhas educacionais permanentes sobre bem estar mental, a fim de reduzir esse preconceito no país, para que realidades como a de Arthur em “Coringa” possam ser evitadas.