ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/04/2021
A tela “O grito’, de Edvard Munch, retrata um indivíduo que, diante da angústia da vida, sente-se preso a uma dura realidade, evidenciada através das expressões de desespero representadas na pintura. Paralelo ao universo artistíco, pode-se relacionar a conjuntura da obra à realidade da atual sociedade, uma vez que diante do notório aumento dos casos de doenças mentais, a banalização dessa problemática faz com que muitos indivíduos se tornem reféns de uma angustiante realidade, permeada por tristeza e desespero. Logo, é necessário entender como o histórico preconceito da sociedade, atrelado à negligência estatal, pode contribuir para o agravamento das doenças mentais no país.
De início, cabe destacar a manutenção de um preconceito social contra doenças psicológicas, como um preponderante fator, no que tange ao estigma dessa problemática. Isso porque, em decorrência do histórico processo de subjugamento e inferiorização de indíviduos detentores de problemas mentais na sociedade - os quais eram tratados como loucos - a invisibilização, e consequente exclusão, dessas pessoas se torna amplamente presente no meio social. Desse modo, muitos acabam presos a uma “bolha” que os restringe da dignidade, a qual perpassa pelo acolhimento social, atrelado ao sentimento de solidariedade. Tal panorama foi amplamente criticado pelo sociólogo Émile Durkheim, em sua obra sobre o suicício, o qual cita a fragilização do processo de conexão humana como fator agravante no que se refere às doenças psicológicas da sociedade.
Em uma outra análise, pode-se atrelar tal problemática à ampla negligência do Estado no processo de suporte às doenças psicológicas contemporâneas. Justifica-se isso pelo fato de que, em decorrência dos precários investimentos na saúde - sobretudo mental - por parte do Governo, o pleno acesso a um tratamento devido, principalmente pela população mais pobre, se torna cada vez mais distante da realidade. Dessa forma, o número de casos de doenças, como a depressão, se tornam cada vez mais significativos. Constata-se isso com base nos dados disponibilizados pela OMS, os quais mostram que mais de 10 milhões de brasileiros sofrem com tal enfermidade.
Portanto, é notória a relação entre a banalização, tanto social, quanto estatal, das doenças mentais, com a manutenção do estigma dessa problemática. Logo, é indubitável a criação de um Plano Nacional de Combate às Doenças Mentais, pelo Ministério da Saúde, orgão responsável pela garantia da saúde nacional. Tal ação poderá ser realizada através de um aumento dos postos especializados no tratamento psicológico, e com a contratação de psicológos que atendam presencialmente e virtualmente. Com isso, a população poderá se libertar da dura realidade mental, distanciando-se do que foi representado em “O grito”.